Q: Na sua idade, você ainda acredita em amor verdadeiro?
Zhang: Com certeza, todo mundo deve concordar que o amor verdadeiro é eterno.
Q: A história é contextualizada pela "Revolução Cultural". Como você vê essa parte?
Zhang: Isso foi uma tragédia tanto para a nação quanto para mim, pessoalmente.
Fui enviado ao campo por três anos e, depois, passei sete anos numa fábrica. Isso porque eu pertencia a uma família abastada, e isso era considerado ruim pelos revolucionários. O sentimento de inferioridade me deixou sensível, assustado, me perseguiu. Mesmo quando passei no exame para ingressar na Academia Cinematográfica de Beijing, em 1978, fiquei com medo de ser recusado pela escola devido à minha "má origem".
A década foi uma miséria para mim e para dezenas de pessoas que compartilharam da mesma experiência. Mas, digo por mim, isso não me causou prejuízos. Os danos ficaram no coração e o que devemos mostrar às pessoas é a beleza do ser humano por detrás do prejuízo.
Q: A "Revolução Cultural" é um tema sensível no país. Aconteceu de algum censor pedir para mudar algo no filme?
Zhang: O processo correu muito bem. Eles ficaram comovidos e trataram o filme como uma história de amor. Tenho que dizer que há limitações na produção cinematográfica feita na China. Isso depende de como você trabalha o filme. Todos nós vivemos numa sociedade com limites. A longa história da nação e os sofrimentos experimentados pelo país são ricas fontes de boas histórias. Espero que país esteja a cada dia mais forte e o regime de censura, cada vez mais tolerante. É questão de tempo.
Q: Vocês parece ter o dom de transformar atores desconhecidos em grandes estrelas, como Gong Li e Zhang Ziyi. Neste filme você lançou duas caras novas. Como você escolhe os atores?
Zhang: Os meus olhos trabalham como uma câmara. Tenho esse dom natural. Quando eu olho para um ator ou atriz, sei que ele ou ela vai ter sucesso diante das câmaras. Geralmente, os filmes exageram, carregam demais no rosto dos atores. Tenho confiança de que posso mostrar essas caras de maneira única e real. É algo que eu tenho.