Eles riram, e um deles deu um tapinha nas minhas costas. Conversamos mais um pouco e tiramos duas ou três fotos. Aí veio mais um senhor e pediu para tirar foto também. E logo outro, e mais outro. Em dez minutos, devo ter tirado 50 ou 60 fotos. Muitos eram turistas do interior, onde raramente se vê um estrangeiro. Já outros, estavam mesmo interessados na barba. Dois até pediram para tirar foto puxando uns fios. Achei engraçado, levei na brincadeira. Mas antes que aparecesse outro grupo de turistas, atravessei uma ponte e entrei em outra viela de artesanatos.
Caminhei por todas as vielas, entrei em cada um dos pontos turísticos obrigatórios e, em menos de duas horas, conheci toda a cidade. Faltava ainda uma hora e meia para o início do show e eu já estava com fome. Resolvi seguir a tradição chinesa e fui jantar cedo, às 6 horas da tarde. Escolhi um restaurante pequeno e aconchegante. Eu queria um prato com peixe, ou camarões, mas o garçom insistiu para que eu provasse o tal tendão de porco. "Prefiro peixe", eu disse.
-Mas você precisa provar esse tendão. É delicioso. É o prato mais famoso daqui.
-Mas é muito grande – contestei – não consigo comer sozinho.
-Não tem problema, faço um menor pra você.
-Ok, Ok. Traz um desses aí, então – decidi experimentar. Ir a Zhouzhuang e não comer esse prato é como ir a Beijing e não comer o pato laqueado.
E não é que o prato é saboroso? A carne estava macia, mas com um forte e agradável sabor de molho de soja. Ainda comi um prato de arroz frito e um peixe assado. Depois pedi um pouco mais de chá, para ajudar na digestão. Quando saí do restaurante, mal podia caminhar, de tanto que comi.
O show começou com dez minutos de atraso. Entre a arquibancada e o palco principal havia um pequeno rio. Na frente do palco havia um placar eletrônico, desses compridos, usados em muitos cinemas para exibir a legenda. Estava tudo em chinês, é claro. Não entendi quase nada, mas achei que era a letra da música com algumas explicações.
Todas as luzes estavam apagadas. Ouvimos um barulho na água, ao lado do palco. Pensei que alguém tivesse caído no rio. Um holofote se acendeu e eu pude ver o que era. Meia dúzia de biguás voavam rentes ao rio, seguidos por uma senhora de cabelos brancos que remava em um pequeno barco, igual aos que transportam turistas pelos rios da cidade. Logo a música começou e uma voz declamou alguns versos. Se eu entendesse o que ela dizia, apreciaria muito mais o show.
O show foi fantástico. Uma mistura de ópera, malabarismo e dança, que mostrava um pouco da vida em Zhouzhuang durante cada uma das estações do ano. Ao final da apresentação, um chinês fantasiado, que parecia ser o personagem principal do show, apareceu no meio da arquibancada. Ele carregava uma cesta cheia de doces e deve ter contado algumas piadas, porque todos riam dele. Eu dei uma ou duas gargalhadas, para que todos pensassem que eu estava entendo. Depois, peguei alguns doces e fui para o ônibus. Não estava com muito sono, mas encostei a cabeça no banco e dormi..