
Segundo estatísticas divulgadas pelas organizações internacionais, o setor de vinhos internacionais continua sofrendo mudanças. Num lado, o consumo e a produção de vinho dos países tradicionais do setor encontram-se em queda, enquanto surgem novos países com rápida expansão, entre os quais, destaca-se a China.
O consumo e a produção de vinhos chineses cresceram a uma média de 10% ao ano na última década. Em 2005, a produção anual nacional foi de 434,3 mil toneladas, contra 201,9 toneladas no ano de 2000. Em comparação a 2000, o lucro gerado no setor cresceu 212,5% em 2005.
Por outro lado, o consumo de vinhos chineses é potencial. Foi registrado um aumento de 100 mil toneladas de 1997 para 500 mil toneladas em 2005, enquanto o consumo per capita é de apenas 0,38 litros, representando 1/15 da média mundial, e 1/120 da média européia. Segundo a previsão a longo prazo das autoridades nacionais, o consumo anual per capita deverá atingir 1,5 litros.
E, sobre isto, os vinhos de Portugal possuem vantagens distintas. O presidente da Vini Portugal, Associação Interprofissional para a Promoção dos Vinhos Portugueses, Vasco d´Avillez, adiantou:
"Há 15 anos, o vinho português tem passado por uma evolução muito importante em relação à qualidade e adaptação que permitiu a venda em todos os mercados. O vinho de Portugal possui duas características muito importantes: a produção com base de castas - variedades de uvas diferentes das habituais - e o preço imbatível. Podemos exportar para a China vinhos de ótima qualidade com um preço muito acessível."
Porém, Roma não foi construída em apenas um dia. Ao entrar no mercado chinês, os produtores encontraram diversas dificuldades:
" Não há tradição do consumo de vinho na China, e existe uma barreira na língua. Além disso, há a questão de gastronomia. A gastronomia é muito variada, e é muito diferente da européia. Os vinhos portugueses são feitos para a gastronomia européia. Por tanto, é preciso inovar e adaptar. Mas, já há uma base de que a comida tradicional chinesa que a gente já conhece na Europa é destacada pelo sabor agridoce. Os vinhos portugueses são os melhores para isso, sobre tudo os rosés. Agora há de estender esta base". --Vasco d´Avillez
As marcas chinesas, mais acessíveis que as estrangeiras, dominam cerca de 80% do mercado. Na verdade, o mercado chinês é controlado por três produtores nacionais, Changyu, Great Wall e Dynasty, que ocuparam respectivamente em 2005, 32,2%, 27,7% e 10,3% do mercado da China. Com profundas raízes no mercado doméstico, as marcas chinesas adotaram a venda exclusiva em diversos restaurantes, bares e lojas.
Pelas diferentes interpretações, os produtores portugueses e distribuidores chineses possuem divergências quanto às táticas de marketing. Sobre isto, o presidente executivo da Tida Industry Co. Ltd, distribuidor do vinho da Borba, Wang Xueming, disse:
"Para entrar no mercado, temos que pagar os revendedores finais, como restaurantes e supermercados. Mas como os produtores portugueses não têm conhecimento suficiente sobre as regras de mercado da China, é difícil convencê-los a investirem desta forma na exploração de mercado. Sem apoio financeiro do produtor, temos que começar a exploração de mercado a partir das cidades médias e pequenas, onde a barreira comercial é inferior às cidades maiores."
Os consumidores chineses também estão se tornando cada dia mais exigentes. Segundo Wang, antes, os chineses tinham apenas a noção geral de que os vinhos estrangeiros eram mais qualificados, mas nos últimos anos, eles vêm exigindo mais informações sobre os vinhos estrangeiros, tais como a marca, o sabor, a região de produção, a idade do produto e até os enólogos. Para Wang, os vinhos portugueses ainda precisam trabalhar muito mais neste aspecto.
Felizmente, o começo da exploração dos vinhos portugueses no mercado chinês não foi insatisfatório. Com apoios crescentes prestados pela embaixada de Portugal na China e até pelo primeiro-ministro do país, foram realizadas em diversas regiões do país provas de vinhos de Portugal, através das quais os vinhos portugueses se tornaram cada dia mais conhecidos na China.
Devido aos resultados satisfatórios obtidos em 2006, a Tida transferiu recentemente sua sede de Taizhou, na província de Zhejiang, para Shanghai, simbolizando o início da exploração do mercado local. Logo após, conseguiu fechar um contrato com o Tesco, um dos principais supermercados de Shanghai, para que vendesse em suas lojas os vinhos da Borba. Além disso, a Adega Coop. de Borba prometeu um aumento no apoio financeiro e o envio de uma enóloga estagiária para ajudar a promoção de seus produtos no mercado. Com todas estas notícias propícias, a Tida está otimista em prever um aumento de pelo menos 20% na venda em 2007.



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