A China possui uma rica variedade de óperas, que originaram estilos musicais diferentes como resultado do grande número de regiões com dialetos e fundos culturais distintos existentes no país. Diferentemente do que ocorre na ópera ocidental, na qual as peças musicais são obra de compositores profissionais, a ópera de Beijing emprega principalmente melodias disponíveis com ritmos e nomes fixos e improvisa a redação da letra. Sua composição musical é escrita com caracteres chineses, e não com símbolos. A música, de escala de sete notas e baseada nos pares de frases de canto uma acima e outra abaixo, destaca o ritmo e a mudança da melodia através de variações, e toma as conexões e mutações dos distintos banshi (toques dos instrumentos de percussão) como recursos básicos para a relação musical da obra inteira, com o objetivo de expressar os diferentes estados emocionais na trama.
Na maioria das obras da ópera de Beijing, a música está intimamente relacionada às variantes das melodias xipi y erhuang, acompanhadas de banshi. As frases de canto costumam ser formadas por cinco ou sete caracteres, às vezes dez. O xipi é vivaz e vigoroso, de ritmo intenso, cantado com clareza, e é apropriado para dar expressão à firmeza, alegria, ira ou emoção. O erhuang é pacato, sóbrio, lírico e profundo, de ritmo estável e prolongado, e serve para aludir à reflexão, angústia, queixa e tristeza. Além disso, a partir dessas duas melodias foi criada uma dúzia de banshis rítmicos.
Além do xipi e do erhuang, a ópera de Beijing assimilou melodias de outras óperas chinesas. Por exemplo, o Banzi sulista (evolução do Banzi de Henan, mantém basicamente o ritmo original, mas é mais suave e gracioso, e é usado em geral pelo dan e pelo xiaosheng), o Sipingdiao (melodia fluida, serve para qualquer canto de letra irregular), o Gaobozi (evolução do Qinqiang, vale para insinuar indignação), o Kunqu (com o acompanhamento musical da flauta, são cantadas melodias sutis com letra clássica e são apresentados bailados quase sem intervalos dos instrumentos; o Kunqu, com quatro séculos de existência, é mãe de todas as óperas chinesas e continua tendo influência sobre elas), o Chuiqiang (é uma melodia simples acompanhada de flauta, sua letra, quase coloquial, é cantada de modo fácil, com intervalos musicais). A ópera de Beijing impressiona pela percussão de tambores e gongos, o que talvez não agrade tanto a quem não tiver ouvidos habituados. Provavelmente isso se deva ao fato de que, em outros tempos, esta ópera nascida no campo recorria à percussão para chamar os espectadores. Por outro lado, a ópera Kunqu, que se representava numa sala contígua ao jardim, tem a flauta como instrumento principal e usa tamborins, em harmonia com o ambiente. Vale lembrar que a melodia sanban da ópera de Beijing é suave e lírica porque se originou de outra similar existente no Kunqu.

Chamada de "changmian" no jargão da ópera de Beijing, a orquestra era, originalmente, disposta atrás dos artistas e diante do "shoujiu" (pano de fundo). Foi há apenas meio século que os músicos passaram a ocupar a lateral da cena. A orquestra é formada por duas partes. A primeira (wenchang), encabeçada pelo qinshi (mestre das cordas), é composta por instrumentos de sopro e cordas, tendo o huqin (duas cordas, também conhecido como jinghu) como principal, associado a instrumentos dedilhados como o yueqin, o sanxian e o pipa, além das flautas. A segunda parte (wuchang), encabeçada pelo gushi (mestre dos tambores), é formada por instrumentos de percussão como tambores e tablas, gongos, címbalos e chocalhos de diferentes tamanhos, tendo os tambores e as tablas como principais e os gongos grandes e pequenos em segundo lugar. O dirigente da orquestra é o gushi, mas ele não tem tanta fama como o qinshi. Se o ator principal é um cantor, o qinshi para seu serviço exclusivo deve apresentar-se antes dele e sentar-se no lugar mais destacado da orquestra. O wenchang serve para ambientar o canto, mas também para dar a música de fundo. O wuchang acompanha a ação, o recitativo, o canto, a dança e o combate do ator, para indicar o início e o fim de sua atuação, marcar o ritmo, sugerir a mudança da cena e ambientar o estado de alma. À ordem do gushi, a música transcorre ao longo da função, do começo ao fim. O gushi tem um papel decisivo para o êxito do ator. La teoria tradicional da ópera chinesa diz: "A música tem o maior peso". Daí a importância da orquestra, que controla o ritmo do canto.

Com a ampliação da temática e dos conteúdos da ópera de Beijing, a orquestra (o wenchang e o wuchang) incorporou um maior número de instrumentos chineses, tentou fazer o acompanhamento musical com ajuda da orquestra ocidental, e criou uma música mais completa através da renovação da composição musical e da combinação de instrumentos. O fortalecimento da orquestra incrementou de certo modo a capacidade da música no sentido de perfilar as personagens, descrever o entorno, construir o ambiente, ressaltar a atmosfera, acentuar o ritmo dramático, destacar a atuação e embelezar o canto, trazendo assim um esplendor sem precedentes às apresentações da ópera de Beijing.
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