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《O Órfão da Família Zhao》
  2013-11-18 10:04:15  cri

No Estado de Jin, no sul da atual província do Shanxi, durante o Período da Primavera e do Outono (770 - 476 a.C.), o então monarca reinante, o duque Jing, começou a inquietar-se pelo crescente poder e confiança de que um ministro honesto, chamado Zhao Shuo, gozava entre o povo. O duque decidiu então eliminá-lo, e encontrou para o efeito um aliado pronto num oficial da corte, astuto e pouco honesto, de nome Tu Angu.

Conforme um plano comum, Tu começou a espalhar falsos boatos sobre Zhao e os seus dois irmãos, Zhao Tong e Zhao Kuo. A grande oportunidade de Tu chegou com um grave desmoronamento nas montanhas Liang, que cortou o tráfego fluvial. O desonesto oficial acusou então os irmãos Zhao de serem culpados do desastre. Ora naquela época, as calamidades naturais eram consideradas como sinais do céu, que assim expressava o seu desagrado pelas ações dos governantes ou oficiais.

Aproveitando o pretexto, o duque Jing enviou as suas tropas contra os Zhao, e um letreiro oficial foi colocado frente à casa da família Zhao, acusando-os de criminosos. Mas as ordens do monarca eram para que acabassem com a família, e os soldados assim fizeram, não poupando nem os criados, que foram todos mortos também. Quando o rumor da luta e os gritos dos soldados e das vítimas deixou de se ouvir, jaziam por terra, mutilados e sem vida, mais de cem corpos. Mas, Tu Angu não encontrou entre os cadáveres o de Zhuang Ji, esposa de Zhao Shuo, a tia do duque.

Aconteceu que Zhao Shuo, informado do plano secreto da matança por um dos seus amigos, de nome Han Jue, seguira o conselho deste, que lhe dissera para não resistir ao poderoso duque, mas que escondesse a sua esposa, então grávida, para preservar a linha da família. Zhao Shuo encarregou então Cheng Ying, um amigo íntimo seu, de tomar conta de Zhuang Ji. Na altura em que se despediu da esposa, Zhao disse-lhe: "Se for um filho, dá-lhe o nome de Zhao Wu e diz-lhe que nos vingue." Foram as suas últimas palavras. Depois a mulher foi levada e escondida no palácio real, em local onde não pudesse ser encontrada.

Mas Tu Angu descobriu o esconderijo de Zhuang Ji, e de imediato foi falar com o duque Jing, tentando convencê-lo a matá-la. O duque mostrava-se relutante em matar a própria tia, mas Tu insistia que era necessário matá-la: "A princesa em si não é perigosa, mas vai, em breve, dar à luz uma criança da família Zhao. Quando esta crescer e tomar conhecimento do que se passou, grandes desgraças poderão ocorrer. É uma evidência que não pode ser ignorada!" O duque acabou por concordar que, se nascesse um filho, matá-lo-ia imediatamente.

O tempo passou, e Zhuang Ji deu à luz um filho. O bebé foi escondido e as servidoras de confiança espalharam na corte a notícia de que nascera uma filha. Correu pouco depois a notícia de que o bebé morrera. Tu Angu não acreditou, e prometeu uma fortuna considerável a quem revelasse o paradeiro da criança, ameaçando ao mesmo tempo executar quaisquer que a escondessem, juntamente com as suas famílias. Todas as portas do palácio estavam guardadas e quem entrava e saía era interrogado com cuidado particular.

No entanto, Cheng Ying e Gongsun Chujiu, outro amigo leal de Zhao Shuo, arquitetaram um plano audaz para salvar o pequeno Zhao Wu. Mas, a concretização do plano requeria enormes sacrifícios. Gongsun perguntou a Cheng: "Qual é mais fácil: morrer pela criança ou protegê-la e educá-la?" Este respondeu: "A morte é mais fácil." E Gongsun retorquiu: "Então eu vou fazer aquilo que é mais fácil."

Segundo o plano, Cheng, fazendo-se passar por denunciador, foi buscar Tu Angu e informou-o que o filho de Zhao se encontrava escondido em casa de Gongsun. Ao saber isto, Tu ficou encantado e enviou logo soldados a capturar Gongsun. Revistada a casa, os soldados encontraram na cave um bebé, envolvido em sedas e brocados. Ao ver a criança, os olhos de Tu brilharam. "Que morram os dois!", disse o vil oficial, convencido de que mandava matar o filho de Zhao, e sem saber que na realidade Gongsun resolvera sacrificar-se e ao filho mais novo de Cheng para permitir ao pequeno Zhao Wu escapar. Antes de ser executado, Gongsun, aparentando ira, acusou Cheng de traidor.

Com a convicção de que o perigo passara, Tu mandou terminar as buscas. Pouco depois, Han Jue saiu clandestinamente do palácio real com o verdadeiro Zhao Wu, e deixou-o ao cuidado de Cheng.

Cheng levou a criança para um esconderijo numa montanha longínqua, onde se ocupou dela durante quinze anos.

Por essa altura, o duque Jing morrera já, e subira ao trono o duque Dao (572-551 a.n.e.). Este era um bom governante, e depressa reconheceu os homens de valor que o rodeavam. Assim, Han Jue foi promovido para um alto posto da corte, enquanto oficiais desonestos como Tu Angu foram afastados. O novo duque, ao tomar conhecimento da sorte dos irmãos Zhao, julgou que tinham sido tratados injustamente e lamentou a extinção da família. Han revelou-lhe então a verdade, e Dao ordenou que o jovem Zhao regressasse à corte.

Zhao Wu e Cheng Ying, ao saberem da decisão do novo duque, sentiram uma alegria imensa. A perfídia de Tu foi então julgada e fez-se justiça. Os bens da família Zhao voltaram às mãos do jovem Zhao Wu, e Tu e toda a sua família foram executados, o que naquela época era considerado como o maior dos castigos.

O duque Dao quis premiar Cheng Ying pelo seu zelo, mas este recusou qualquer recompensa, afirmando: "Suportei muitas humilhações e vivi sempre à espera do dia em que a criança se fizesse homem e se materializasse a vingança. Não seria justo aceitar qualquer prémio, sabendo que o inocente Gongsun jaz no seu túmulo". Ditas estas palavras, Cheng pôs termo à vida. Sensibilizado pela amizade e lealdade que unia os dois homens, o duque fez sepultar Cheng ao lado dos restos mortais de Gongsun, e levantou um monumento, onde se lia: " Túmulo de Dois Hérois".

A história acerca da família Zhao foi compilada nas Memórias Históricas de Sima Qian (séc. II a.C.) e nas Novas Anedotas de Liu Xiang (77-6 a.C.). Enriquecida pela imaginação do povo, a história foi recontada de diferentes formas. Ji Junxiang, um dramaturgo da dinastia Yuan (1279-1368) escreveu uma peça de teatro intitulada O Órfão da Família Zhao.

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