Fengyang foi palco - há 600 anos - do nascimento do primeiro imperador da Dinastia Ming - Zhu Yuanzhang. Ele também foi o responsável por reunir milhares de carpinteiros durante seis anos para edificar Zhongdu (Capital Central).
Antes de completar a obra, contudo, Zhu decidiu abandonar a cidade. Apesar disso, sua infra-estrutura sobreviveu ao tempo, sendo considerada pelos especialistas como a precursora da Cidade Proibida.
Li Yuru afirmou o seguinte ao nos mostrar a cidade:
"As ruas são de mármore. A pedra monumental do portão sul possui dragões e fênix esculpidos. A cidade tem quatro portões em quatro direções."
Zhongdu é dividida em três partes - exterior, intermediária e interna. A exterior e chama Zhongdu, capital central; a intermediária se chama Huangcheng, cidade imperial e a interna, cidade proibida. Segundo especialistas, a cidade exterior é maior do que o Palácio Imperial. Seu estilo arquitetônico foi inspirado nos estilos tradicionais, mas agregou outros valores. Por isso, tornou-se uma referência na história da arquitetura nacional. O especialista em história da Dinastia Ming da Academia de Ciências Sociais da China, Xia Yurun, afirmou à Rádio Internacional da China:
"O imperador Zhu Yuanzhang decidiu promover a migração a partir das regiões Sul e do Norte, incluindo os membros das etnias Hui e Yao. Estimo que a iniciativa tenha atraído 600 mil pessoas. O movimento migratório foi tão forte que acabou reconhecido como o maior deslocamento populacional da história nacional. Ninguém, no entanto, poderia prever que o imperador fosse abortar seu programa estratégico. Por essa razão, a economia da cidade perdeu sua impulso inicial, especialmente depois da morte do imperador fundador da Dinastia Ming. No segundo ano do reino Zheng Tong (1437), a cidade estava tão depauperada que os pobres passaram a perambular por todo o país a fim de pedir esmolas. Para tanto, criaram um instrumento inusitado: o Show de Fengyang."
Xia Yurun afirma que o Show de Fengyang nasceu a partir das apresentações mambembes desse grupo social. Conforme o historiador, os pequenos tambores ditavam o ritmo do canto desses migrantes enquanto pediam esmolas.
O instrumento sobreviveu ao tempo e se tornou o principal souvenir de Fengyang. Além disso, a cidade lhe concedeu um museu temático.
A monitora do Museu do Tambor, Xie Lan, nos disse:
"O nosso acervo contém um conjunto de 11 grandes tambores. O maior, confeccionado em legítimo couro bovino, mede dois metros de diâmetro. Os demais medem, em média, 1,5 m de diâmetro. Já solicitamos ao Guinness Book de Shanghai que o reconheça como o maior conjunto de tambores da China. Por outro lado, preservamos um tambor de apenas 2 centímetros de diâmetro. É o menor do gênero do país. Por isso, também solicitamos o seu reconhecimento ao Guinnes Book de Shanghai".
A relevância cultural do Show de Fengyang também foi reconhecida pelo Ministério da Cultura. Em junho deste ano, o legado artístico das antigas orlas de migrantes acabou tombado como Patrimônio Cultural Imaterial da China. Depois disso, ele se tornou o cartão de visitas do governo distrital de Fengyang. O objetivo, afirmam as autoridades locais, é explorar o seu potencial turístico. Para tanto, o calendário de eventos culturais da cidade passou a incluir, em setembro, o Show de Fengyang.
O governador do distrito, Fan Dijun, nos disse:
"O distrito de Fengyang preserva importantes pólos turísticos, como o Templo Longxing; Zhongdu ou as tumbas imperiais da Dinastia Ming. Além disso, temos alguns recantos pitorescos como a gruta de estalagmites e estalactites datadas em 400 milhões de anos".
Fan lembrou que o governo central liberou 86 milhões de yuans para a restauração de Zhongdu em 2002. "A iniciativa permitiu a preservação de seu complexo arquitetônico".