Desde a abertura da Expo, a comunidade internacional voltou suas atenções à China. Para o ministro italiano da Administração Pública e Reforma, Renato Brunetta, a realização da maior exposição mundial da história na China vai exercer uma profunda influência nas economias, não apenas do país anfitrião, mas nas de todo o mundo.
Durante a entrevista concedida ao repórter Wang Baoquan, correspondente da CRI na Itália, Brunetta disse que a obtenção dos direitos de sediar os Jogos Olímpicos e a Expo Mundial é a prova do desenvolvimento progressivo e constante da economia chinesa.
"A promoção da Expo Mundial pela China é o reconhecimento pela comunidade internacional do tamanho da economia chinesa, que vinha crescendo a um ritmo de cerca de 10% ao ano. A realização do evento representa também o reconhecimento pelo mundo da qualidade da modernização chinesa, pois a Expo de Shanghai está estreitamente ligada à inovação e reforma. De maneira geral, o mundo define o desenvolvimento da China em três etapas: a China adormecida; a China acordada, ansiosa por conhecer o mundo; e a atual China, que já é parte importante da economia e da geopolítica mundial, além de contribuir decisivamente com o avanço da inovação tecnológica e civilização social. Os Jogos Olímpicos e a Expo Mundial de Shanghai são momentos históricos através dos quais o mundo pode ter novas informações sobre a China", afirmou Brunetta.
Para o ministro italiano, é certo que a realização da Expo vai deixar para Shanghai um grande benefício em termos de infraestrutura. Mas as contribuições da maior exposição do mundo não vão se limitar a isso.
"Quando a Expo 2010 terminar, em outubro, Shanghai estabelecerá uma rede de conexões com o resto do mundo, pois milhões de pessoas vão a Shanghai durante o evento, incluindo empresários, comerciantes e personalidades de várias áreas. E os contatos continuarãos sendo mantidos depois da Expo. Se 100 mil empresas chinesas realizarem diálogos com 100 mil empresas estrangeiras, essas conversas se estenderão para além da Expo. Isso é importantíssimo para Shanghai e a China. Um investimento enorme como o da Expo visa produzir o chamado 'capital de relações'. Quando juntamos o homem, a cultura e as empresas para fazer intercâmbios, esse capital de relações gera valores estimáveis", explicou Brunetta.
Como funcionário público e economista, Brunetta enxerga na Expo um importante significado ao desenvolvimento da economia mundial.
"Para o mundo, mergulhado na crise mundial, a Expo de Shanghai surge como uma luz na escuridão. Através de estatísticas é difícil dizer com precisão quanto a Expo vai contribuir com o crescimento da economia mundial. Mas o evento tem um grande significado simbólico. Como um barco na tempestade vendo um farol ao longe, a economia chinesa vê na Expo a luz da recuperação", disse Brunetta.
Ainda de acordo com Brunetta, a Expo de Shanghai será uma excelente oportunidade para a Itália exibir ao mundo suas tecnologias e projetos inovadores. Para ele, a exportação de mercadorias concretiza apenas a transferência de riquezas. A exportação de ideias, no entanto, cria situações de benefício mútuo. Na condição de funcionário do alto escalão da Itália responsável pela inovação, Brunetta é o chefe da delegação italiana que participa da exposição "Inovação Itália".
"Vou chefiar uma delegação formada por mais de 250 empresas públicas e privadas. Essas empresas foram selecionadas através de concursos sobre projetos de inovação. Elas vão levar produtos de todas as áreas da Itália, incluindo o modo de vida e a cultura da manufatura. O meu objetivo é estabelecer uma conexão entre essas empresas e a parte chinesa, ou seja, uma relação de colaboração. Mesmo após a Expo, a Itália continuará realizando anualmente um concurso para selecionar 250 empresas com as ideias mais inovadoras. Estou pensando em denominar o concurso como ´Shanghai´, já que sua origem está ligada à cidade chinesa", acrescentou Brunetta.