A reforma dos hospitais públicos é o componente mais importante do programa nacional da reforma de saúde. Embora algum progresso tenha sido alcançado nos últimos três anos, nem tudo tem corrido bem. Especialistas e funcionários das áreas afins discutiram melhorias para o sistema durante a 5ª sessão anual da 11ª Conferência Consultiva Política do Povo Chinês(CCPPCH).
De acordo com estatísticas oficiais, até o final de 2011, 95% dos chineses já tinham alguma forma de cobertura de seguro de saúde.
Mas os especialistas participantes da discussão do grupo médico durante a sessão da CCPPCh continuam preocupados por ser demasiado caro para os pacientes procurar médicos em grandes hospitais e muitos hospitais continuam dependendo da venda de medicamentos de prescrição para aumentar sua receita.
O diretor executivo do Primeiro Hospital Central de Tianjin, Shen Zhongyang, também membro do principal grupo de conselheiros do país, afirmou que vai levar muito tempo para se acabar com tais práticas nos hospitais públicos devido à ausência de uma política coordenada.
"Minha sugestão é estabelecer um mecanismo de compensação para os hospitais que pararam de lucrar com as vendas de remédios. Isso não é uma questão de lucro. No entanto, a operação terá problemas de falta de fluxo de capital se as instituições só dependerem do financiamento do governo. Só é viável concretizar os objetivos da reforma se tivermos um sistema de compensação especializado."
O vice-ministro da Saúde, Wang Guoqiang, que também participou da reunião, concorda que os hospitais públicos devem pôr em prática uma abordagem passo a passo para deixar de depender das vendas de medicamentos de prescrição para obterem lucros.
"A principal solução, eu acho, é aumentar os investimentos e recursos provenientes de práticas reais, para gradualmente livrar-se das práticas atuais. Em segundo lugar, devemos reformar os métodos de pagamento e ajustar os preços dos serviços médicos para melhor refletir o valor dos profissionais de saúde."
A atual estrutura do fluxo de lucros nos hospitais está desajustada, em parte porque o custo dos serviços médicos é muito baixo. Isso significa que alguns profissionais de saúde correm atrás de prescrições de medicamentos desnecessárias e exames médicos inúteis, o que onera o país com contas médicas mais altas.
Para resolver isso, Wang disse que o atual sistema de pagamento de atendimento médico deve ser afinado. Ele também sugere que o governo incentive o financiamento diversificado para investimento e construção de hospitais sem fins lucrativos.
Um maior investimento poderia melhorar a essência do funcionamento dos hospitais públicos de forma rápida, embora o recrutamento de médicos talentosos e o estabelecimento de sistemas eficientes de gestão permaneceria problemático para a reforma do atendimento médico a longo prazo.
Até o momento, tentativas de reformas hospitalares têm sido realizadas em nível municipal, onde os hospitais estão passando por uma escassez de médicos qualificados.
He Wei, presidente do Hospital de Olhos, em Shenyang, na província de Liaoning, disse que deve ser estabelecido um mecanismo de coordenação entre grandes hospitais públicos e as instituições de serviço médico de base.
"Uma maneira é fomentar uma distribuição sensata dos médicos e criar alguns programas para incentivar o capital social a investir em recursos humanos. E a outra é que podemos oferecer cursos intensivos e práticos de formação para os trabalhadores da área médica em hospitais locais."
O sistema de saúde vigente tem apenas um método para avaliar seus trabalhadores, que é considerado inadequado para encorajar mais profissionais. Alguns especialistas sugerem que sejam criados sistemas distintos de avaliação para profissionais em diferentes funções, a fim de motivar todos os profissionais de saúde.
O Conselho de Estado da China, ou gabinete chinês, aprovou um plano de reforma médica em janeiro de 2009. No o ano seguinte começou, em 16 cidades, o projeto-piloto de reforma dos hospitais públicos.