Apesar da paixão pela arte, Zhang foi obrigado a deixá-la de lado. Com a dissolução do teatro em 1968, no início da Revolução Cultural, ele voltou à terra natal para trabalhar como operário por oito anos e, depois, por mais 20 anos como motorista de caminhão. Mas nem o tempo foi capaz de cessar nele o amor pelo teatro.
"Como desde pequeno adoro o teatro de sombras, sempre senti muita saudade, ainda que não estivesse mais trabalhando com isso. Logo após me aposentar em 2001, criei um grupo de teatro de sombras que passou a atuar amplamente nas cidades de Tangshan e Qinhuangdao."
Mas, diferente dos anos 50 e 60, o ambiente mudou. As formas modernas de arte impactaram a singeleza do teatro de sombras.
"Há uma disparidade enorme. Na minha infância, as apresentações do teatro eram muito concorridas. Com o fim da Revolução Cultural, entre 1.976 e 1.985 o teatro viveu o auge de seu desenvolvimento. Agora, perdemos esse público, que optou pelas canções pop e filmes de kung-fu feitos em Hong Kong. O teatro está sendo esquecido."
A preocupante constatação fez com que Zhang sentisse uma responsabilidade ainda maior de difundir o teatro entre as gerações futuras. Essa mesma força interior fez o artista superar as dificuldades financeiras, mal-entendidos na família e o ceticismo dos amigos.
A situação, entretanto, vem mudando desde a implementação da política governamental de proteção aos patrimônios culturais imateriais.
"Em 2005, minha companhia participou da Feira Internacional do Teatro de Sombras de Tangshan, onde ganhou cinco prêmios. Em 2009, fizemos uma excursão pela República Tcheca e fomos muito bem recebidos."
Apesar da revitalização do mercado, a formação de novos talentos está entre as maiores preocupações de Zhang. Isso porque os atores, além de manipular as marionetes, precisam cantar ao mesmo tempo, tarefa que pode parecer fácil, mas é extremamente complicada. Um minuto de apresentação no palco, segundo Zhang, requer dez anos de prática.
"Os jovens, às vezes, têm boa performance quando atuam como atores coadjuvantes. Mas falta muito ainda para que eles possam assumir o papel principal. Já estou com uma idade avançada e quero que eles amadureçam o mais rápido possível."
Embora aposentado, Zhang Xiangdong tem uma vida mais ocupada agora do que antes. Com o apoio dos amigos e familiares, ele é hoje um homem ainda mais feliz.
O maior desejo de Zhang é bem simples: atrair cada vez mais admiradores ao teatro de sombras para que essa arte tradicional chinesa se eternize na memória de seu povo.