Apesar de desengonçado, Jardel tem um talento nato para fazer gols. Foi artilheiro por quase todos os clubes que passou - Vasco, Grêmio, Porto (Por), Galatasaray (Tur) e Sporting (Por) - e conseguiu terminar dez competições como maior goleador. "Nunca tive habilidade com a bola e sempre procurei compensar isso treinando as conclusões a gol", explica o atacante.
Aproveitando-se da estatura (1,87m), Jardel fez das cabeçad...as sua especialidade. Principalmente em função delas, conquistou prêmios como a Bola de Ouro, a Chuteira de Ouro e o título de maior goleador de todos os campeonatos do mundo em 1999, quando defendia o Porto.
Nascido em Fortaleza (CE), em 19 de setembro de 1973, o matador recebeu seu nome em uma homenagem da mãe, Maria de Fátima, ao ator de novelas Jardel Filho. Se a mãe contribuiu com o nome, o pai, César Ribeiro, deu-lhe os genes da paixão pelo futebol. O lado paterno da família vinha tentando há duas gerações formar um jogador profissional, sem sucesso.
O avô e um dos tios estiveram próximos do sonho, e jogaram nas categorias de base do Ferroviário, mas não foram capazes de seguir carreira. Depois de ser recusado pelo Ceará, aos 10 anos de idade, Jardel começou a treinar no próprio Ferroviário, onde ficou até se transferir para o Vasco, em 1991.
Por ironia do destino, um dos jogadores mais temidos pelos goleiros em todo o mundo, Jardel chegou a atuar na posição durante a infância. "Eu era o melhor goleiro do meu bairro e fui jogar nessa posição no Montese". Jardel tentou ainda o vôlei, em razão da vantagem que levava sobre os amigos pela altura. Mas a experiência não deu certo e ele investiu definitivamente na carreira de jogador. "Queria marcar gols e ser mais visto".
Disputando a Taça Rio de Janeiro de juvenis pelo Ferroviário, o centroavante encantou os olheiros do Vasco. Teve seu passe comprado por US$ 27.500. O bicampeonato brasileiro de juniores e a conquista do Mundial Sub-21, na Austrália, pela seleção brasileira lhe renderam o primeiro contrato profissional. "Diziam que eu seria o segundo Roberto Dinamite", relembra.
Mesmo marcando muitos gols, Jardel foi perseguido pela torcida vascaína. Desiludido, pediu para deixar o clube, pois queria se transferir para o Paysandu. Ao saberem da notícia, os dirigentes do Grêmio investiram no jovem atacante cruzmaltino, e conseguiram sua contratação por empréstimo, em 1995. Era o início da definitiva projeção nacional de Jardel.
Em Porto Alegre, o matador encontrou a felicidade, que atendia, também, pelo nome de Luiz Felipe Scolari. O treinador montou um esquema tático especial para Jardel, que era servido por todos os companheiros de equipe. O artilheiro conquistou a torcida gremista com muitos gols e com a conquista da Copa Libertadores da América do mesmo ano. Terminou como principal goleador da competição sul-americana, com 12 gols.
Para ficar com o jogador em definitivo, o Grêmio teria de pagar ao Vasco US$ 1,2 milhão, valor considerado alto para a época. Para manter o ídolo, a diretoria do clube tricolor criou o slogan "Fica Jardel" e conseguiu arrecadar 10% do valor total. O fim de um ciclo marcado por glórias e gols nos Pampas havia chegado. O momento era de encantar os europeus com a marca de artilheiro.