De acordo com o calendário tradicional chinês, ainda estamos no Ano do Coelho. No último verão no hemisfério norte, a alta temporada mundial para a exibição e distribuição de filmes, o filme de animação com tecnologia 3D, "A Lenda do Coelho", que foi completamente produzido na China, foi exibido em diversos idiomas em mais de 60 países e regiões do mundo e levou aos espectadores estrangeiros a imagem de um coelho chinês honesto e corajoso.
"A Lenda do Coelho" teve sua estreia em 11 de julho deste ano. O filme recebeu o investimento de 120 milhões de yuans, cerca de 19 milhões de dólares, do Grupo de Cinema do Norte de Tianjin e Instituto de Cinema de Beijing, e ganhou duas importantes premiações locais, o Galo de Ouro e o Hua Biao. Além disso, o filme participou de oito dos festivais mais influentes no mundo, e vendeu os direito de distribuição para cerca de 60 países e regiões globais. Assim, "A Lenda do Coelho" se tornou o primeiro filme de animação 3D da China a entrar no mercado internacional.
Hoje em dia, o mercado internacional de cinema de animação é dominado por poucos países, principalmente Estados Unidos e Japão. Embora a animação chinesa tenha alcançado grande sucesso mundial nas décadas 1950 e 1960 com obras como "The Monkey King" e "Lenda de Ne Zha", a partir da década de 1980, a indústria de filmes de animação do país asiático entrou em um período de recessão. Em 2008, o filme de animação "Kungfu Panda", produzido por Hollywood, levou um grande impacto visual aos cinéfilos internacionais e arrecadou o total de 180 milhões de yuans, cerca de 28 milhões de dólares, na parte continental chinesa.
Para os espectadores locais, tanto "Kungfu" quanto "Panda" são elementos culturais chineses, mas por quê profissionais no setor da China não conseguiram criar um filme igual? Essa dúvida sensibilizou Sun Lijun, um diretor que trabalhou por 20 anos na Faculdade de Animação do Instituto de Cinema de Beijing. Foi por isso que ele decidiu colaborar com Zou Jingzhi, famoso roteirista de cinema, e um grupo de alunos do curso de animação para produzir um filme comercial que pudesse representar o verdadeiro nível de desenvolvimento da animação chinesa.
Ao conceder uma entrevista, o diretor Sun Lijun disse:
"Como podemos fazer um filme de animação, que tanto alcance sucesso no mercado comercial quanto tenha um significado social positivo? Durante a nossa discussão, observamos que hoje em dia, embora a sociedade se desenvolva rapidamente, surgiram também vários fenômenos negativos, especialmente a ausência de credibilidade entre as pessoas. Por isso, definimos um tema relacionado ao "cumprimento de compromisso".
Sun ainda disse:
"Para o filme ter características fortes da China, escolhemos "Tu Ye" como a figura principal, que é um tipo de brinquedo em forma de coelho e teve muita popularidade entre as crianças de Beijing e Tianjin, duas cidades do norte com longa história na China. Além disso, misturamos os elementos do Kungfu com o nosso protagonista "Tu Ye", para assim poder atrair maior atenção dos cinéfilos estrangeiros."
De fato, a partir de 2000, o ensino da animação no país asiático começou a se desenvolver rapidamente. Já são mais de 100 mil alunos fazendo o curso, que já finalizaram vários tipos de desenhos animados bem divulgados entre o público chinês. Em 2008, o Ministério da Cultura lançou o documento "Propostas sobre o Apoio para o Desenvolvimento da Indústria de Animação na China", uma ação que demonstra o incentivo à entrada de animações nacionais no mercado do exterior. Com base nesse documento, o filme "A Lenda do Coelho" obteve um grande volume de verbas de apoio para inovação cultural, distribuídas pelos departamentos de cultura de Beijing e Tianjing.
O Estúdio de Filmes de Tianjin, fundado na década de 1950, foi transformado em 2003 no Grupo de Cinema do Norte, que é o maior investidor do filme "A Lenda do Coelho". O presidente da empresa, Wang Dafang, disse:
"As novas políticas nos trouxeram uma série de efeitos positivos. Em comparação com o passado, os trabalhos se tornam mais complexos e flexíveis. Favorecidos pelo novo mecanismo, podemos empregar conforme as próprias necessidades o produtor, o distribuidor, o gerente de financiamento e o gerente de cinema. Até o momento, já concluímos muitos contratos de projetos de filmes e telenovelas."
Bom, por hoje é só, mas no próximo programa, vamos continuar falando um pouco mais sobre este filme, não perca !