O Museu da Capital, situado ao oeste da Praça de Paz Celestial, é o maior museu de Beijing, Capital chinesa. Ele tem a maior sala central entre todos os museus no mundo, com uma área total de dois mil metros quadrados e 34 metros de altura. A vice-diretora, Yao An, ex-presidente do famoso parque do Templo do Céu (patrimônio mundial), é uma erudita jovem e elegante.
Yao An se considera uma pessoa cheia de sonhos desde pequena.
"Acho que desde que se guarde sonhos, se consegue concretizá-los passo a passo. Desde pequena eu gosto de arqueologia, mas meus pais achavam os estudos arqueológicos muito cansativos, e não me deixaram escolher o tema quando fiz vestibular para a universidade. Optei, então, pelo estudo da língua manchu".
O manchu é falado entre o grupo étnico Manchu na China. Yao An estudou na Universidade Minzu e foi selecionada para trabalhar no Templo do Céu depois de se formar. O Templo do Céu é o lugar onde os imperadores chineses das dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1912) realizaram ritos de sacrifício às divindades e rezaram pelo bom tempo e pela boa colheita. A dinastia Qing era governada pelos manchus, e a partitura utilizada na cerimônia de homenagem ao Céu era escrita na língua manchu, o que permitiu a Yao An a exibir sua habilidade e talento. No Templo do Céu, Yao An concretizou seu sonho de trabalhar como "arqueóloga".
Após uma década de esforços, Yao An e seus colegas põem em ordem trinta notações musicais a partir do material escrito com cerca de dez milhões de caracteres. Adormecidas há quase um século, músicas imperiais voltaram a soar. Além disso, a turma de Yao retomou o funcionamento do Salão da Música Divina, lugar onde músicos da antiguidade ensaiavam para o rito de sacrifício. Quanto a isso, Yao recordou:
"Retomamos no ano 2000 o Salão da Música Divina. Valeu a pena. Começamos a organizar o material a respeito a partir de 1991. Não paramos de imaginar, naquele tempo, qual cena será quando músicos tocarem essas músicas. Enfim, esperamos dez anos pelo sonho concretizado".
Eis a música utilizada na cerimônia de homenagem ao Céu. Agora, o Templo do Céu promove anualmente um concerto para exibi-la.
Além de trabalhar com a partitura, Yao An escreveu muitos livros sobre o Templo do Céu, apresentando a arquitetura, a cultura e os ritos ligados a este patrimônio mundial.
"Eu adoro o Templo do Céu. A tranquilidade domina o local. Para mim, ele é um paraíso na Terra, construído pelos nossos antepassados. É um grande prazer poder apresentar o Templo do Céu ao mundo".
Yao An trabalhava também como engenheira sênior, responsável pela reforma e restauração do Templo do Céu. Além disso, montou inúmeras exposições. Sua eficiência e competência foram reconhecidas pelos colegas. Foi transferida depois ao Museu da Capital, cujo novo edifício estava na construção.
O Museu da Capital foi aberto ao público em outubro de 1981. Sua antiga sede se localizava dentro da Academia Imperial, no distrito Dongcheng, de Beijing. No final de 2005, o novo prédio foi inaugurado. Yao An recordou:
"Em 2005, quando o novo prédio foi inaugurado, promovemos ao mesmo tempo 14 exibições. Eu me responsabilizei pela elaboração de esquemas, seleção de temas, revisão de artigos, entre outros trabalhos. Trabalhava todos os dias até 11 horas da noite. Era uma loucura".
Desde sua abertura, o novo Museu da Capital promoveu numerosas mostras culturais e históricas. A exposição "Memória da China", montada durante os Jogos Olímpicos no ano passado, reuniu coleções de 70 museus nacionais, criando o recorde da visitação diária de 14 mil pessoas. Quanto ao seu papel, Yao usa uma metáfora dizendo que funciona como um fio, que interliga outros departamentos.
Tudo que Yao faz tem como objetivo tornar o Museu da Capital um lugar atraente para todos os habitantes de Beijing, sejam jovens, sejam idosos.
"Seja no Templo do Céu, seja no museu, eu dedico toda a minha emoção ao meu trabalho. É um grande prazer para mim".