Huang Yongsong, o presidente da revista Hansheng
    2009-01-06 15:34:28                cri

Criada em 1971, a revista Hansheng (Voz dos Hans, em tradução livre), de Taiwan, é dedicada especialmente à cultura tradicional e folclórica chinesa. O nó chinês, o guarda-chuva feito de papel, figurinhas de barro... tudo isso foi registrado de forma víva e completa pela Hansheng. A revista entrou na lista The Best of Asia, promovida pelo Times, dos Estados Unidos, sendo denominada por "a melhor publicação para os profissionais".

Huang, de 60 anos de idade, é natural de Taoyuan, na ilha de Taiwan. Sua história com a revista Hansheng começou nos anos 60 do século passado. Formado em uma escola de arte de Taiwan, Huang Yongsong estava trabalhando na produção de filmes e novelas. Conheceu depois Wu Meiyun, que acabara de voltar dos Estados Unidos. Os dois decidiram criar uma revista. Então, em 1971, nasceu a revista em inglês Eco, versão anterior da Hansheng, que tinha cinco seções; Cultura Folclórica, Vida Folclórica, Crença Popular, Literatura e Arte. No início, a redação tinha apenas poucas pessoas. Wu Meiyun era redatora-chefe e Hung Yongsong era redator artístico e fotógrafo.

Huang Yongsong percorreu quase todas as vilas de Taiwan para pesquisar, fotografar e filmar as ricas manifestações folclóricas que ainda existem nos campos. Huang recordou:

"A revista Hansheng visa a resgatar a cultura tradicional e folclórica da nação chinesa. Isso nos leva a nos concentrar em cada detalhe para atingir a meta".

Em 1974, a BBC recorreu à Eco para ajudá-la na produção de um documentário sobre os costumes e a vida popular de Taiwan. Em companhia de Huang Yongsong e Wu Meiyun, os produtores da BBC visitaram os campos da ilha e concluíram o documentário intitulado The Long Search (A Longa Procura).

Com a experiência, Huang tomou a consciência de que os estrangeiros têm muito interesse pela cultura tradicional chinesa. Em 1977, a revista Eco mudou seu nome para Hansheng e passou a ter, também, uma versão em chinês.

Huang Yongsong sentiu, por outro lado, que os folclores de Taiwan eram apenas uma pequena parte da cultura chinesa. Assim, cresceu aos poucos o desejo de ir ao Continente chinês procurar os ritos e costumes que se transmitem há milênios.

A abertura do Continente chinês forneceu a oportunidade a Huang. Durante sua estadia no Continente, achou em uma vila de Zhejiang, província no leste do país, o indigo, uma antiga tecnologia de estampagem de vestuário chinesa. Acreditava-se que esta técnica tinha se perdido há quase mil anos. Hung Yongsong e seus colegas foram ao local registrar todo o processamento do indigo e ficaram sabendo que o dono da tinturaria pretendia quebrar a tina, um sinal para fechar a oficina, devido à complexidade do processamento e à falta de mercado.

"Fiquei chocado ao saber da notícia. Perguntei-lhe se precisaria fazer isso mesmo. Ele me disse que sim, pois seus produtos não tinham mais mercado na sociedade moderna. Aí eu perguntei-lhe se podia prolongar um pouco o funcionamento da sua oficina. Ele me respondeu que poderia prolongar, no máximo, por um ano. Aí eu disse-lhe que faria uma encomenda de mil peças".

Depois de voltar a Taiwan, Huang Yongsong fez uma matéria sobre a arte e pediu aos leitores que comprassem o tecido, ajudando a resgatar esta antiga arte folclórica. O texto causou frisson entre os setores têxteis nacional e internacional.

A vila Qikou, situada na província de Shanxi, era o maior porto às margens do rio Amarelo e uma parada comercial nacionalmente conhecida. No local está preservado um conjunto de aldeias antigas. Em setembro de 2004, a revista Hansheng fez um especial sobre Qikou, apresentando detalhadamente as arquiteturas antigas e costumes tradicionais existentes na vila.  

"Esses prédios têm uma estrutura compacta e bem organizada, além de exibir uma beleza harmonizada com a natureza".

Segundo Huang, a revista Hansheng pretende criar um banco de dados sobre a cultura tradicional e folclórica chinesa. Para ele, a diversificação é importantíssima para um mundo cada vez mais globalizado. O folclore testemunha e transmite a civilização da nação chinesa.

"Visitei tantos lugares e nunca me canso disso. Fico muito contente por conhecer pessoas de diferentes lugares. A cultura folclórica é um tesouro inacabável".

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