Shangrila, uma localidade famosa por sua beleza paisagística, fica no Zhou Autônomo da Etnia Tibetana Qiqing da província de Yunnan. Na língua tibetana, Shangrila significa "sol e lua do coração". Nos últimos anos, o lugar tornou-se um dos maiores pólos turísticos da China.
Todos os dias, Qilin Peichu e seus conterrâneos patrulham os montes para evitar incêndios e caça ilegal e recolher o lixo branco. Eles protegem as florestas onde vivem de geração em geração como protegem suas crianças. Qilin Peichu disse:
"Recolhemos o lixo deixado pelos turistas e os aldeões guardam as florestas em turnos para combater o desmatamento de árvores e a caça ilegal e proteger nosso ambiente".
A aldeia onde mora Qilin Peichu fica no Parque Nacional Pudacuo do distrito de Shangrila. A zona possui florestas primitivas, vales, riachos permanentes, pastagens, áreas úmidas e ricos recursos de animais e vegetação. O Lago Shudu e o Mar Bita são as maiores atrações do Parque. No centro do Lago Shudu há um templo de budismo tibetano e, todos os dias, muitos tibetanos vêem peregrinar e a fumaça de incensos é permanente nas quatro estações do ano. A zona Militang, localizada a uma altitude de 4.150 metros, é onde os habitantes locais pastoreiam seus rebanhos de iaques.
Antes de 1998, os habitantes de Shangrila não estavam cientes da importância da proteção do meio ambiente. Naquele tempo, grandes áreas de florestas foram desmatadas, a pastagem foi destruída e aconteciam freqüentemente calamidades naturais como desmoronamentos de terra e enxurradas de pedra e lama. Desde 1998, o governo chinês vem adotando uma série de medidas como, por exemplo, proibir o desmatamento de florestas, implementar os projetos de reflorestamento de áreas cultivadas e buscar o desenvolvimento das energias alternativas, o que contribui para a proteção dos recursos naturais de Shangrila.
No início da criação do Parque, segundo o sub-diretor geral do Parque, Ding Wendong, o governo local emitiu regulamentos sobre a administração e sobre a proteção do ecossistema na área e ordenou a derrubada das construções ilegais ao redor do Lago Shudu e do Mar Bita. Com a medida, foi reduzida efetivamente a emissão de poluentes. O Parque comprou ainda cerca de vinte veículos movidos a energia limpa para o transporte de turistas, a fim de reduzir o movimento de veículos convencionais na região e minimizar a poluição atmosférica do gás de escapamento dos veículos motorizados. Pelas encostas, foram plantadas ervas com o fim de segurar a terra e evitar a erosão e outras calamidades naturais. Ao mesmo tempo, foram construídos restaurantes que usam as energias como energia solar e energia térmica subterrânea, bem como sanitários que satisfazem os padrões de proteção ambiental.
"Damos maior prioridade à proteção ambiental e já investimos 230 milhões de yuans, cifra que ocupa cerca de dois terços do investimento total do Parque", disse Ding.
Agora, o conceito de proteção do ambiente está enraizado nos habitantes locais. Para eles, a preservação das paisagens naturais primitivas atrai mais turistas e possibilitará um melhor futuro para sua terra.
O habitante da aldeia Nuoxi, Ciwang Pingcuo, disse que, antes, os habitantes da etnia tibetana moravam em prédios de dois andares e, segundo o costume, quanto maiores eram as vigas de madeira das casas, maior era o poder de seus donos. Nessa competição silenciosa, foi cortado um grande número de árvores das florestas primitivas.
"Utilizávamos madeira para construir casas e buscávamos construir casas com pilares grossos e vigas maiores. Com este costume, gastávamos muito dinheiro, as árvores foram desmatadas em grandes áreas e o ambiente ecológico foi prejudicado. Agora, a grande maioria dos habitantes já mudou seus conceitos".
Segundo Ciwang Pingcuo, o governo local mandou instalar gratuitamente aparelhos movidos a energia solar e ajudou os moradores a construírem tanques de metano. Agora, todas as famílias usam energias limpas.
A aldeia Tangdui é famosa pela produção de cerâmicas de estilo tibetano. A produção, no entanto, consumia grande quantidade de madeira de pinheiro e provocava emissão de fumaça poluente. A fim de reduzir o uso de madeira e a emissão de fumaça, os artesãos estão pesquisando o uso de energia limpa para sua produção. O sub-gerente da Companhia de Cerâmica da aldeia, Wangdui, disse:
"Gás natural e metano devem ser energias ideais para nossa produção. Estamos esforçando-nos pela pesquisa".
Com o desenvolvimento do turismo, nos últimos anos, como manter a sustentabilidade dos recursos turísticos e preservar o ambiente paisagístico primitivo são os temas que tanto o governo quanto os habitantes pensam mais. O governador do Zhou Autônomo da Etnia Tibetana de Diqing, Zizhala, garantiu não seguir o antigo caminho de "prejudicar primeiro, preservar depois" e de "grande participação popular e baixa rentabilidade".
"O que queremos é preservar o ambiente ecológico e os recursos naturais e culturais durante longo tempo e seguir o caminho de sustentabilidade e de bons efeitos. Shangrila é a harmonia entre os seres humanos e a Natureza e, neste ambiente, os seres humanos e a Natureza convivem e se respeitam mutuamente".