O lar dos Hani
    2008-12-03 14:22:31                cri

Nas montanhas Ailao, no sudoeste da China, estendem-se os terraços de grandes superfícies pelas encostas, que estão impregnados dos sonhos e esperanças dos Hani, uma das 55 minorias étnicas chinesas, e a sabedoria e trabalhos árduos de seus ancestrais. 

Os Hani são um antigo grupo étnico e têm atualmente cerca de 1,2 milhão de integrantes. Vivem principalmente nas zonas montanhosas entre 800 e 2.500 metros de altitude e acumulam uma rica experiência na construção de terraços.

De acordo com as diferentes topografias, os Hani aproveitam as condições naturais, construindo canais que conduzem as águas dos riachos incessantes por todo o ano para os terraços. No início da primavera, os terraços de diferentes dimensões e formas estão irrigados e brilham ao sol. Em abril e maio, as plantas dos terraços verdejantes parece tapetes de parede que cobrem todas as encostas dos montes. Até o fim do verão e o início do outono, temporada da safra de arroz, os terraços tornam-se oceanos dourados.

 

Zhang Youfu, idoso da aldeia Qingkou do distrito Yuanyang, na província de Yunnan, é "Migu", responsável pelos rituais na língua dos Hani. Para a população, o "Migu" serve como uma ponte e elo entre os seres humanos e as divindades espirituais e, na primavera, inaugura o trabalho de transplante das mudas de arroz.  

Zhang Youfu vive sempre na aldeia Qingkou. Todos os dias, a primeira coisa que faz depois de levantar-se é fumar um cachimbo. Depois do café da manhã, mais ou menos às nove horas, Zhang sai de casa, em companhia do filho, para examinar sua terra cultivada a uns dois quilômetros da aldeia.

Seguindo os canais de irrigação por entre os terraços, vemos frequentemente as placas de madeira com graduações colocadas nos canais. Zhang disse:

"Nossos ancestrais usavam estas placas como meio de distribuição da água. Com este método, distribuímos e garantimos a água para os terraços próximos ou afastados dos canais".

Com uns vinte minutos de caminhada, chegamos aos terraços da família dos Zhang, onde as mudas arroz plantadas alguns dias trás estão vigorosas. Zhang Youfu disse:

"Nós, os Hani, sempre fomos estreitamente ligados aos terraços. Temos um costume: quando um bebê nasce, só é levado para fora do quarto 13 dias depois do nascimento. Nesse momento, pegamos um garfo de três pontas, onde colocamos um chapéu e uma bolsa que costumamos levar para os trabalhos no campo. Se nasceu um bebê homem, colocamos na bolsa uma faca dobrada que se usa geralmente para arar a terra. Se nasceu uma menina, colocamos uma foice na bolsa".

O idoso Zhang termina sua inspeção das áreas cultivadas ao meio-dia. Com mais de 60 anos, ele sempre se preocupa com os terraços. Para os Hani, os terraços os acompanham por toda a vida. Quando crianças, brincam nos terraços. Quando crescidos, namoram nas barracas construídas nos terraços e, quando despedem-se deste mundo, vão dormir seu sono eterno nos montes por cima dos terraços para os guardar sempre.

 

Hoje em dia, os Hani continuam vivendo de seus terraços de mais de 10 mil hectares. Para preservar melhor este antigo sistema, em 2000, foi criado um órgão especial no governo do Zhou Autônomo das Etnias Hani e Yi e os terraços dos Hani estão incluídos na lista dos 35 candidatos da China para a lista dos patrimônios culturais mundiais. O chefe do Birô de Administração dos Terraços da Etnia Hani, Zhang Hongzhi, disse:

"Com o trabalho e a inteligência dos Hani, eles poderiam ter construído uma cidade, mas, há mais de mil anos, eles vivem nas aldeias. O motivo disso são as condições geográficas locais, pois não existe nas montanhas Ailao uma área espaçosa. Assim, os ancestrais dos Hani dedicaram-se com toda a energia e inteligência à construção dos terraços".

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