O setor editorial chinês em 30 anos de reforma e abertura
    2008-11-25 14:28:26                cri

Organizadores da Feira do Livro de Frankfurt, recém-encerrada na Alemanha, anunciaram que a China será o principal país convidado do evento no ano 2009. Com a adoção da política de Reforma e Abertura, o setor editorial chinês viveu mudanças drásticas nas últimas três décadas. 

A Feira do Livro de Frankfurt, a maior do gênero, é uma importante plataforma para o comércio de publicações. Na cerimônia de encerramento da sua 60ª edição, a vice-diretora da Administração Nacional de Imprensa e Publicações, Li Dongdong, aceitou do representante turco um livro em em rolo de papel, símbolo do principal convidado da feira. Em entrevista exclusiva concedida à CRI, ela falou:

"Será a primeira vez que a China participa da Feira de Frankfurt como o principal convidado, em 2009. Levamreos na ocasião mais de 500 tipos de publicações, que devem refletir o nível de desenvolvimento do setor editorial chinês e a trajetória da reforma e abertura do país nestes últimos trinta anos".

Durante a Revolução Cultural (1966-1976), o setor cultural chinês sofreu uma paralisia, com o fechamento da maior parte das editoras e tipografias. Passada uma década de vida cultural extremamente pobre, o entusiasmo dos chineses pela leitura se expandiu, exigindo a recuperação e o desenvolvimento do setor editorial nacional. O vice-presidente permanente da Associação Nacional de Publicadores, Yang Deyan, recordou:

"Em 1978, o país começou a incentivar o estudo de línguas estrangeiras, mas, naquela época, havia um pequeno número de livros novos. Lembro-me de que para comprar um dicionário de inglês era preciso pegar uma longa fila fora da livraria. Além do atraso na compilação, a falta de papel também impedia a expansão do setor".

Zhang Deyan trabalhava naquela época no Departamento de Língua Estrangeira da Commercial Press, a primeira editora chinesa, fundada no fim do século XIX. Para atender à demanda interna pelas publicações sobre línguas estrangeiras, a Commercial Press acelerou o lançamento de livros do gênero. Yang Deyan apresentou:

"A Commercial Press começou em 1978 a entrar em contato com a editora da Universidade de Oxford, do Reino Unido. O Dicionário Oxford foi nosso primeiro fruto de trabalho, nos anos 1980".

 

Segundo Yang Deyan, a Commercial Press possui atualmente um amplo leque de produtos editoriais. Com trinta anos de recuperação, o setor está vivendo uma prosperidade sem precedente na China.

De acordo com estatísticas divulgadas pela Administração Nacional de Imprensa e Publicações, o país lançou em 2007 cerca de 2,4 milhões de tipos de publicações, contra os 10 mil registrados em 1978. O número de publicações periódicas aumentou de 600, em 1977, para mais de 9 mil, no ano passado, enquanto o número de jornais cresceu dez vezes. O volume de produtos audiovisuais disparou de 30 milhões, no ano 1978, para 460 milhões, em 2006.

Os chineses se despediram finalmente da época em que era dificílimo comprar um livro novo. Estrangeiros residentes na China sentiram também a mudança. A russa Anna veio à China no início dos anos 1990. Ela falou da sua experiência.

"Com a reforma e abertura, as publicações em idioma estrangeiro vêm aumentando sua parcela no mercado chinês. Lembro-me de que nos anos 90 do século passado consegui comprar na livraria chinesa apenas obras clássicas russas como Guerra e Paz. Agora, as livrarias em Wangfujing e Xidan possuem seções especializadas na venda de livros em Russo. Consigo também assinar aqui jornais e revistas russos, sem restrição alguma".

Ao longo dos últimos trinta anos, a China estabeleceu um sistema legal para a imprensa e a publicação, tendo como foco a Lei dos Direitos Autorais. O país não deixou de combater a pirataria e, apenas em 2007, órgãos competentes detectaram 70 milhões de publicações piratas, incluindo um milhão de livros.

Zheng Yuanjie é um escritor bem produtivo. Os contos infantis produzidos por ele vêm sendo bem procurados no mercado nos últimos vinte anos. Para ele, a proteção aos direitos autorais favorece sua iniciativa de criação. Ele falou:

"Lancei o meu primeiro livro em 1981, quando ainda não havia muitos casos de pirataria. Depois, a situação vinha piorando. Os anos 1990 foram a pior época, quando tudo estava fora de controle. Eu, particularmente, não tinha vontade de criar naquele tempo. Agora, a situação mudou completamente. Sinto realmente que minhas obras são protegidas".

O setor editorial nacional vem aumentando também o contato com o exterior. Em 1992, a China aderiu à Convenção para Proteção da Literatura e Trabalhos Artísticos de Berna e à Convenção Universal sobre o Direito do Autor. Em 2003, o país honrou o compromisso assumido ao ingressar na Organização Mundial de Comércio (OMC) e abriu o setor tipográfico e o mercado de distribuição de publicações. A China já é participante indispensável das feiras internacionais de livros.

Segundo o vice-diretor da Administração Nacional de Imprensa e Publicações, Yan Xiaohong, a China continuará criando um bom ambiente para a cooperação com o exterior no setor editorial. Ele falou:  

"O governo chinês continuará reforçando o apoio à cooperação entre as empresas publicitárias nacionais e estrangeiras, com o objetivo de incentivar a produção de obras com qualidade. Ao mesmo tempo, continuamos combatendo a pirataria, em busca da criação de um bom ambiente de mercado".

Comentários