O círculo artístico da China vive agora uma prosperidade sem precedente. Nas últimas três décadas, vem crescendo uma nova geração de compositores, inclusive Qu Xiaosong, Liu Suola, Tan Dun e Guo Wenjing.
Você ouve agora um trecho da obra sinfônica de Qu Xiaosong. Ele nasceu em 1952 na cidade de Guiyang, na província de Guizhou. Aos 20 anos, começou a aprender a tocar violino. Em 1978, foi admitido pela Faculdade de Composição da Academia Central de Música, em Beijing. Em 1989, beneficiado por um projeto de intercâmbio da Universidade de Columbia, viajou para os Estados Unidos, iniciando sua vida profissional no exterior. Obras produzidas por Qu vêm sendo apresentadas nos últimos tempos pelo mundo inteiro. Ele próprio é chamado de "mestre do silêncio" pela crítica ocidental, graças ao ar místico e à suavidade que marcam suas músicas. Nos anos 1980, Qu produziu trilhas para vários filmes nacionais, inclusive Homenagem à Juventude, Homem Selvagem, Caminhando Cantando e outros.
Qu Xiaosong é um compositor que não pára de tentar coisas novas. Na sua última produção, Xing Cao, o compositor chinês utilizou tecnologias multimídia para conseguir efeitos de percussão. Apesar disso, Qu disse não esquecer de "mostrar o perfil original de música" aos espectadores. Ele falou:
"Artistas têm que buscar a mudança, sobretudo depois de vinte anos. Mas o que mais impressiona as pessoas na música são sempre aquelas coisas fundamentais e essenciais".
Além da composição, Qu Xiaosong vem explorando outras formas artísticas. A ópera Uma Vida como Corda (em tradução livre) é uma delas. Adaptação do romance do escritor chinês Shi Tiesheng, a ópera narra a história de um homem com deficiência visual que ganha a vida com narração de romances tocando músicas. Seu mestre lhe conta que, quando ele quebrar a milésima corda do instrumento, encontrará sua cura. Para Qu Xiaosong, a produção é, de certa forma, uma reflexão da sua atitude em relação à arte e à vida. Segundo ele, a exploração da arte é uma busca do sentido da vida.
"O importante é encontrar um meio satisfatório. Para isso, você tem na mente um objetivo. Para atingi-lo, não há um critério padrão sobre a técnica ou processo, desde que você ache certo. A opinião dos outros não pesa tanto".
Segundo Qu, seu estilo musical marcado pela "tranquilidade" foi formado durante seu cotidiano na caótica Nova York. Para explicar isso, Qu falou da sua iniciativa de produzir Xing Cao. Uma vez, Qu estava no estúdio de um amigo ouvindo uma música com melodia lenta. Foi atraído pela lentidão da música e sentiu no momento o tempo parar. Com a inspiração, produziu Xing Cao, que passou a ser, no entanto, um fracasso de crítica. Quanto a isso, Qu Xiaosong disse que, se fugir do modelo fixo sobre a música, sentirá a essência da sua produção.
"Críticos curtem músicas com muita expectativa. Quando o resultado está fora do que eles esperam, eles ficam desesperados. Quem a escutar sem expectativas, aprenderá coisas novas".
Passado dez anos nos Estados Unidos, Qu Xiaosong retornou à China e trabalha agora como professor da Academia de Música de Shanghai. Ele fundou na maior metrópole chinesa a Casa de Música Qu Xiaosong para jovens músicos se reunirem e trocarem idéias. De acordo com ele, a música é a vida, e vice-versa. A natureza e a tranquilidade são inspiração da arte, destacou Qu.
"Uma cultura é formada por milhares de elementos. Por exemplo, a civilização chinesa de cinco mil anos vem sendo acumulada passo a passo. O que nós precisamos fazer é viver ao sabor dos acontecimentos".