Reforma e abertura do setor financeiro nas últimas três décadas
    2008-11-14 10:47:58                cri

Nas últimas três décadas, desde o início da política de reforma e abertura, a economia chinesa vem passando por mudanças fundamentais, incluindo o setor financeiro. A bolsa de valores vem se expandindo, enquanto a área bancária também tem diversificado seus serviços e o setor de seguros tem beneficiado a população.

Chen Fan, de 51 anos de idade, comprou nove anos atrás, estimulado por um colega, seu primeiro título comercial. Hoje, acompanhar a evolução da bolsa já é um trabalho diário comum para ela.

"Todas as manhãs, depois de voltar dos exercícios físicos, ligo o computador para observar a situação da bolsa. Caso eu ache algum título comercial interessante, compro-o por meio de uma ligação telefônica. Estou pensando em ativar a transação via internet, mais conveniente do que via telefone."

A Sra. Chen é uma de cerca de cem milhões de acionistas da China. Atualmente a cotação da bolsa é um dos temas mais atraentes para a população chinesa. Entre junho de 2005 e julho de 2007, o índice da bolsa de Shanghai subiu de mil para seis mil pontos, porém, caiu de novo nos últimos doze meses, para dois mil. A agitação do mercado de valores teve uma atenção inédita da população. Segundo Chen, tanto em supermercados quanto em parques, ônibus ou restaurantes, o assunto mais discutido entre as pessoas é a situação da bolsa de valores.

No entanto, três décadas atrás, pouquíssimos chineses sabiam o que era bolsa de valores. Foi exatamente naquela altura, com a promoção da reforma e da abertura, que a bolsa de valores da China começou a germinar.

Em 1984, o governo chinês anunciou políticas para autorizar os empregados a terem ações da empresa e benefícios anuais. Algumas empresas de Beijing, Shanghai, Guangdong, Sichuan e Liaoning tornaram-se pioneiras na aplicação desta política. Em setembro do mesmo ano, foi criada a primeira ação física da nova China, a "Feile". A ação foi dada de presente pelo "engenheiro-chefe" da política de reforma e abertura da China, Deng Xiaoping, para o então presidente da Bolsa de Valores de Nova York, John Phelan.

Depois disso, o mercado de ações da China entrou em um período de rápido crescimento. Nos anos 90 do século passado, os acionistas tinham que ficar nas salas lotadas para realizar transações e suas opções eram limitadas às menos de vinte empresas listadas. Hoje em dia, estão listadas nas bolsas de valores de Shanghai e Shenzhen mais de 1.800 empresas, e as salas de negociação estão espalhadas por todo o país, enquanto o telefone e a internet já se tornaram importantes meios de realização de transações.

O valor das empresas listadas na bolsa da China cresce constantemente. O valor total das duas principais bolsas de valores da parte continental da China atingiu três bilhões de yuans. O professor da Universidade das Finanças da China He Qiang considera que o mais importante é o aumento da qualidade das empresas listadas:

"Objetivamente, em um mercado emergente, muitas empresas listadas têm problemas de qualidade. Porém, graças à reforma do regime de lançamento de ações, os padrões de IPO foram elevados e, conseqüentemente, a qualidade das empresas listadas foi melhorada. Estas empresas formam a base fundamental do mercado. Por isso, sua qualidade e desenvolvimento deram uma garantia sólida para o desenvolvimento estável."

Com o amadurecimento, o mercado de ações da China acelerou seu ritmo de abertura. Até o fim de 2006, o país já havia honrado todos os compromissos assumidos em relação ao setor ao ingressar na Organização Mundial do Comércio.

Paralelamente, a reforma foi concretizada em outras áreas financeiras da China. A área bancária, por exemplo, vem lançando a cada dia mais produtos e serviços convenientes e personalizados. Até o fim do ano passado, 78 bancos e instituições financeiras do continente lançaram serviços de financiamento voltados aos indivíduos, cujo valor total atingiu 819 bilhões de yuans. O valor de vendas do primeiro trimestre deste ano já ultrapassou o valor total do ano passado.

Em uma sucursal do Banco Comercial da China, maior malha bancária do país, a responsável Zhao Na está apresentando um produto:

"A venda deste produto representa metade do valor total da venda de todos nossos produtos de financiamento, porque este produto é designado para as contas dinâmicas."

Em abril de 2007, os primeiros quatro bancos estrangeiros obtiveram na China a licença de atuação de serviços completos de RMB e divisas. Estes bancos estrangeiros manifestaram a disposição de trazer mais serviços financeiros para clientes chineses. O diretor-executivo do Standard Chartered, Peter Sands, afirmou:

"Não vamos colocar nenhuma barreira, muito pelo contrário, vamos criar, de acordo com as características dos clientes chineses, novos produtos. Este é o nosso princípio de trabalho."

Ao mesmo tempo, os bancos chineses também estão conquistando seu mercado no exterior. O Banco da China já se estabeleceu em 28 países e regiões do mundo, com mais de 600 filiais.

Ao longo dos últimos trinta anos, o termo "seguro" também vem aparecendo em todos os cantos da vida cotidiana dos chineses. Até 2007, o país já possuía 110 asseguradoras, que registraram uma receita total de 700 bilhões de yuans.

Agora, os produtos de seguro estão sendo popularizados até nas zonas rurais. Entre estes produtos, o seguro agrícola subsidiado pelo governo está beneficiando agricultores das principais regiões produtoras.

Liu Junyu é um agricultor de Daxing, ao sul de Beijing. No ano passado, seu campo de melancias foi afetado por chuvas de granizo. Mas, graças ao seguro, ele obteve cinco mil yuans de compensação.

"Se não fosse afetado pela calamidade, poderia ganhar 15 mil yuans. Graças à compensação do seguro, a perda econômica foi diminuída para 2,5 mil. Estou satisfeito."

Segundo Liu Junyu, 80% das despesas de adesão ao seguro agrícola são subsidiados pelo governo, o que incentiva os agricultores locais a contratarem o seguro.

O presidente da Comissão Reguladora de Seguros da China, Wu Dingfu, adiantou que os departamentos estão ampliando a cobertura do seguro agrícola subsidiado:

"As experiências internacionais e as nossas na última fase provaram que o apoio governamental é fundamental para a promoção dos seguros agrícolas. O trabalho da nossa parte é garantir que o lucro das asseguradoras fique em uma margem baixa, porque só com isto o seguro agrícola poderá ser popularizado."

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