Quando se fala em China hoje em dia, as primeiras coisas que vêm à mente são os produtos "Made in China" encontrados em todo o globo, o crescimento econômico de mais de 9% ao ano e a maior reserva de divisas no mundo, para dar apenas alguns exemplos. E os estrangeiros que estão na China descobrem que, neste país asiático, é fácil encontrar artigos de todos os cantos do mundo, comer no KFC e no Mcdonalds ou se hospedar em hotéis como Hilton e Shangri-la.
Tudo isso está estreitamente ligado à política de reforma e abertura adotada há 30 anos na China.
Desde que os chineses começaram a dar os primeiros passos na reforma até estabelecerem uma abertura completa e abrangente, o caminho percorrido não foi fácil. Como você já deve saber, no final da década 1970, quando vizinhos como Japão e Coréia do Sul e outros países cresciam a passos largos, a China tinha acabado de se livrar da sombra da Revolução Cultural, que durou dez anos. Em 1978, a China respondia por 20% da população mundial e 1,8% do PIB global, o PIB per capita, então, era ainda pior. No mercado doméstico havia escassez de tudo e artigos de primeira necessidade como arroz e sabão eram racionados com cupons distribuídos pelo governo.
A pobreza e o atraso eram a imagem real da China de então, enquanto a mudança e o desenvolvimento constituíam a maior vontade de todos os chineses.
A 3ª Sessão Plenária do 11º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, em dezembro de 1978, foi um marco histórico no desenvolvimento do país. Na ocasião, a segunda geração de líderes chineses, tendo como núcleo Deng Xiaoping, tomou a importante decisão de introduzir no país a política de reforma e abertura, segundo a qual, a China abandonaria o antigo princípio de "luta de classes como elemento chave" e mudaria o foco para a modernização social. A reunião definiu a construção econômica como eixo central do desenvolvimento nacional, marcando a entrada oficial da China na nova era de reforma e abertura.
Em 1978, 18 camponeses da aldeia Xiaogang, na província de Anhui, assinaram de forma espontânea e pioneira o "contrato de produção agrícola entre a unidade familiar e o Estado". Rapidamente, a medida foi aplicada em outros lugares do país.
Em 1980, a China estabeleceu as zonas econômicas especiais em Shenzhen, Xiamen, Zhuhai e Shantou, com o objetivo de absorver o capital, a tecnologia e o modelo de administração dos países ocidentais. No mesmo ano, fundou-se a primeira empresa de capital misto.
Em 1992, o 14º Congresso Nacional do PCCh assinalou claramente que a meta da reforma econômica da China é criar um sistema de economia socialista de mercado, marcando o fim da economia planificada, que tinha desempenhado importante papel nas primeiras décadas da República Popular da China.
Em 2001, a China ingressou com sucesso na Organização Mundial de Comércio. O processo de reforma e abertura entrou numa nova fase histórica.
A adoção de uma série de medidas efetivas despertou o vigor e a criatividade da população, fazendo a sociedade chinesa passar por enormes transformações.
A primeira zona econômica especial, Shenzhen, uma pequena aldeia de pescadores em 1980, é hoje uma metrópole de 10 milhões de habitantes. Shanghai, era considerada o "Paraíso dos Aventureiros" nas décadas de 1920 e 30, mas com os vários anos de guerra e o embargo econômico imposto pelos países ocidentais desde a fundação da Nova China, a influência internacional da cidade caiu notavelmente. Após 30 anos de desenvolvimento desde a adoção da política de reforma e abertura, Shanghai recuperou o antigo fascínio. Instituições financeiras estrangeiras, como Citibank, Standard Chartered e HSBC, retornaram para a cidade. Muitas das 500 maiores empresas do mundo instalaram ali bases ou centros de pesquisa e desenvolvimento. Hoje em dia, as construções símbolos da China não são apenas a Grande Muralha, a Cidade Proibida e os Jardins Clássicos de Suzhou, como também o Grande Teatro Nacional, o Ninho de Pássaro e a Torre de Televisão de Shanghai.
Em 1979, o famoso estilista francês Pierre Cardin passeou pela primeira vez nas ruas de Beijing, atraindo os olhares curiosos de numerosos habitantes da capital chinesa. Passados 30 anos, os chineses já estão acostumados com todos os tipos de desfiles de moda, ao mesmo tempo, a seda, a máscara da ópera de Beijing e o vermelho da China marcam presença nas Semanas de Moda de Nova Iorque, Paris e Milão.
Com certeza, os êxitos trazidos pela reforma e abertura não se limitam a isso. Em 30 anos, o PIB chinês subiu do 10º para o 4º lugar no ranking mundial, a população pobre reduziu-se de 250 milhões para 20 milhões, os padrões de vida, educação, assistência médica e seguridade social, bem como a consciência democrática e jurídica aumentaram consideravelmente.
Enquanto a economia e a sociedade se desenvolvem, a abertura reforça o conhecimento mútuo entre os chineses e outros povos do mundo e impulsiona o intercâmbio e cooperação internacionais em economia, política, cultura, ciência e tecnologia, entre outras áreas. Além disso, nos domínios de clima, segurança e reforma da ONU, a China está desempenhando papéis cada vez mais importantes.
No entanto, devemos reconhecer também as dificuldades e os desafios enfrentados durante as três últimas décadas. As negociações para a entrada da OMC duraram 15 anos. Quando começaram a adotar tecnologias e equipamentos estrangeiros, as empresas chinesas foram às vezes enganadas a comprar equipamentos obsoletos ou até refugos. A entrada de companhias estrangeiras dos setores automotivo, varejista e financeiro trouxe impactos ao fraco setor de serviços chinês.
Ao mesmo tempo, o processo de reforma e abertura gerou também alguns problemas sociais como o aumento da desigualdade entre pobres e ricos, o desequilíbrio no desenvolvimento das zonas rural e urbana, a escassez de recursos naturais e a degradação ambiental. Os chineses estão pensando num novo modelo de desenvolvimento. Mesmo assim, a determinação de persistir no caminho de Reforma e Abertura continua firme, porque o povo chinês se beneficiou verdadeiramente da execução dessa política, a sociedade chinesa progrediu a passos largos, e, a nação chinesa concretizou o renascimento.
Na cerimônia de abertura do Fórum Asiático realizada neste ano em Bo'ao, o presidente chinês Hu Jintao declarou ao mundo que o desenvolvimento acelerado da China nos últimos 30 anos é fruto da Reforma e Abertura. O futuro desenvolvimento chinês também necessita da Reforma e Abertura. A política é uma decisão dos 1,3 bilhão de chineses. O povo chinês seguirá firmemente no caminho de Reforma e Abertura.