Mudanças na Feira de Guangzhou refletem desenvolvimento do comércio exterior da China
    2008-11-12 14:21:03                cri

A 104ª Feira de Importação e Exportação da China ocorreu em Guangzhou, na província de Guangdong, no sul da China, entre 15 de outubro e 6 de novembro. Com sua primeira edição em 1957, o evento, conhecido também como a Feira de Guangzhou, realiza-se duas vezes por ano, uma na primavera e outra no outono, sendo a feira comercial de maior dimensão e de mais longa história do país. Esta feira é sempre considerada o termômetro dos negócios de exportação e importação da China, pois reflete e transmite ricas informações como as situações do comércio chinês com o exterior e as políticas relativas.

O Sr. Wen Yangsong é o gerente-geral de uma companhia de comércio exterior da província de Guangdong. Neste outono, ele participou pela 86ª vez da Feira de Guangzhou. 43 anos atrás, o Sr, Wen, ainda jovem, participou pela primeira vez da feira como um promotor de negócios de uma empresa. Recordando as cenas daquela época, ele disse:

"Naquela altura, a maior parte dos chineses vestia 'Zhongshanzhuang' (um tipo de roupa promovida pelo famoso líder político chinês Sun Yat Sen) de cor cinza e azul. Porém, as roupas dos estrangeiros eram muito ricas e nós não estávamos acostumados no início. Naquele tempo, não havia muita gente na China que podia falar línguas estrangeiras e, quando eu conversei em inglês com os participantes estrangeiros, eles ficaram muito espantados."

 

A Feira de Guangzhou nasceu em 1957, apenas oito anos após a fundação da nova China. Naquele período, os países ocidentais ainda estavam aplicando um bloqueio econômico sobre a China. O especialista em comércio internacional Mei Xinyu disse que a Feira de Guangzhou, nascida nestas circunstâncias, tem um significado e uma missão.

"Esta feira de negócios foi criada como uma plataforma intermediária, através da qual o país podia entrar no mercado internacional e desenvolver o próprio comércio exterior."

Na realidade, a Feira de Guangzhou abriu uma porta para o país realizar negócios com o exterior. Na 1ª feira, realizada na primavera de 1957, apenas cerca de 1.200 comerciantes estrangeiros participaram do evento, e o valor de contratos foi de US$ 17 milhões. No entanto, na 103ª feira, realizada na primavera deste ano, o número de participantes estrangeiros ultrapassou 190 mil e o valor total de contratos atingiu US$ 38,2 bilhões. Correspondendo a esta mudança de números, o volume total de importação e exportação da China saltou de US$ 3,1 bilhões para US$ 2 trilhões.

 

O Sr. Wen Yangsong, que participou de dezenas vezes do evento, disse que, no início, os produtos de exportação da China exibidos na feira se limitavam a produtos locais de características chinesas e matérias-primas. Após tantos anos, os produtos exibidos agora na feira são mais diversificados.

"Atualmente, são exibidos na feira muitos produtos espaciais e também produtos petrolíferos e outros produtos de alta tecnologia".

O especialista Mei Xinyu analisou que o desenvolvimento da Feira de Guangzhou reflete as mudanças estruturais do comércio exterior do país, coincidindo com o processo do aperfeiçoamento da estrutura econômica e da transformação do método de crescimento econômico promovidos pela China nas últimas décadas.

"A estrutura do comércio exterior da China já se transformou de exportação de produtos primários e se importação de manufaturados para exportação principalmente de manufaturados, especialmente produtos mecânicos e elétricos. Ao mesmo tempo, os produtos primários ocupam a maior parte das importações. A estrutura do comércio exterior da China se aproxima a cada dia do modelo de um país industrializado."

Além disso, com o desenvolvimento da feira, as empresas participantes se ampliaram para o setor privado. Em 1999, apenas algumas empresas privadas com autorização de importação e exportação podiam participar da Feira de Guangzhou. Porém, na edição da primavera deste ano, o valor de contratos assinados pelas empresas privadas ultrapassou US$ 22 bilhões, mais de metade do valor total alcançado no evento. Com menos de dez anos, as empresas privadas já se tornaram protagonistas da feira, substituindo as empresas estatais, refletindo a posição e o papel desempenhado pelo setor privado no comércio exterior do país.

Na primavera de 2007, o nome completo da feira mudou de Feira de Exportação da China para Feira de Importação e Exportação da China. Na opinião dos especialistas, essa mudança mostrou que a China procurava com mais esforço o equilíbrio entre importação e exportação, e também que o evento seguiu ativamente o ajuste do governo no comércio exterior.

Segundo Song Hong, especialista da Academia de Ciências Sociais da China, no início da aplicação da política de reforma e abertura, o governo chinês incentivava as exportações para elevar a produtividade interna. Com essa orientação da política comercial e o preço relativamente baixo de recursos, o setor manufator de exportação do país conseguiu um grande desenvolvimento e o volume de exportação e o superávit comercial aumentaram rapidamente. A entrada de divisas com grande valor acumulou riquezas para o país, mas também trouxe grande pressão para o ajuste econômico e tornou-se ao mesmo tempo um importante causador de disputas comerciais com outros blocos econômicos. Assim, o governo chinês começou a ajustar as políticas de comércio exterior. Song disse:

"Para mudar essa situação, adotamos nos últimos anos uma importante estratégia que é manter o equilíbrio comercial, e o aspecto principal é como ampliar a importação mantendo o aumento das exportações."

A Sra. Jan Wilson, que veio dos Estados Unidos para participar da 101ª edição da Feira de Guangzhou, disse que as zonas de exibição de importação da feira abrem uma janela para as empresas norte-americanas entrarem no mercado chinês e também ajudam a China diminuir o superávit do comércio com os EUA.

"Trata-se de uma feira comercial de nível mundial, e sua dimensão está se ampliando constantemente. Podemos encontrar clientes potenciais de todo o mundo. Esperamos encontrar um agente que possa criar conosco uma empresa de capital misto para importar periodicamente nossos produtos."

Com o desenvolvimento de tantos anos, a Feira de Guangzhou ainda tem outras mudanças, por exemplo, as empresas famosas pelo mundo que vêm importar produtos chineses estão aumentando. Song Hong acha que isto mostra a competitividade dos produtos chineses.

"Como a capacidade do abastecimento e do comércio exterior da China está aumentando, os importadores de produtos chineses agora incluem empresas mundialmente famosas como Wal-Mart, o que reflete o desenvolvimento da abertura da China e também a integração do país à economia mundial."

 

Em 2007, o volume total de importação e exportação da China superou US$ 2 trilhões, e o país tornou-se o terceiro maior bloco comercial do globo. O Ministério de Comércio da China declarou que a Feira de Importação e Exportação da China prestará melhores serviços nos aspectos de transformação do método de desenvolvimento do comércio exterior, aperfeiçoamento da estrutura de produtos exportados e promoção de marcas famosas da China, além de oferecer uma plataforma de negócios para as empresas nacionais e estrangeiras.

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