José Armando, com 35 anos de idade, é um atleta angolano de corrida de curta distância. Dez anos atrás, a explosão de uma mina terrestre levou as pernas de José. Porém, com muita determinação, ele recuperou através do esporte a vontade de viver. Durante os anos seguintes, o desempenho de José melhorou de forma rápida e constante. Nos Jogos Paraolímpicos de Atenas em 2004, José venceu as provas finais de 100m, 200m e 400m da categoria T11, quebrou recordes paraolímpicos e conquistou três ouros para a delegação angolana.
Após os jogos de Atenas, José começou a treinar junto com o guia Abel. Mas no início, a cooperação entre os dois não foi fácil, pois precisavam de um longo período para se adaptar, especialmente para Abel que tinha de seguir o ritmo da corrida de José. Ao mesmo tempo, com o aumento da idade, seria cada vez mais difícil manter a condição física de José. Por isso, foi um grande desafio para ambos conseguirem bons resultados nos Jogos Paraolímpicos de Beijing. Segundo Abel, ele pensava todos os dias em como manter a competitividade do seu parceiro. Ele disse:
"Todas as vezes, antes do treino, vou conversar com ele para reforçar sua autoconfiança e, depois disso, começamos a fazer o aquecimento pois, se quiser um bom resultado no treino, é preciso cuidar primeiro do aspecto psicológico."
Com o acompanhamento de Abel, José continua a sua trajetória gloriosa no atletismo. Em Beijing, na prova final de 100m rasos, T11, ele ganhou uma medalha de prata, o que é muito difícil para um veterano com 35 anos. José disse que espera compartilhar junto com Abel a alegria de todas as vitórias.
José e Abel, um bom par de parceiros no campo de competições, também são bons irmãos na vida cotidiana. Com rostos muito parecidos, os dois sempre são reconhecidos como irmãos verdadeiros. Eles passeiam juntos, jogam juntos e viajam juntos. Se José quiser ir a algum lugar, Abel vai levá-lo com carro próprio, e depois, buscá-lo de volta. O cuidado de Abel comove muito José. Ele disse:
"Todas as pessoas dizem que somos bons irmãos. E concordo com eles. Abel, para mim, não é apenas amigo e guia, mas o meu irmão de verdade. Às vezes, os cuidados dele para comigo são maiores do que os dos meus pais."
José ainda disse que após os Jogos Paraolímpicos de Beijing, se possível, vai continuar a carreira esportiva e também espera continuar a treinar junto com o seu irmão Abel.