A pianista Li Ang, 22 anos, promoveu recentemente em Beijing seu primeiro recital na China.
Você ouve agora a Rapsódia Húngara No. 12, de Franz Liszt, interpretada por Li Ang no seu recital. Sua paixão pela música encantou os espectadores. Ouça o depoimento de um deles.
"Acho muito legal. Ela é bem relaxada e possui excelentes técnicas. Tudo é perfeito".
Filha de engenheiro e médica, Li Ang começou a navegar no mundo musical desde pequeno. Segundo ela, a música é a melhor memória de sua infância.
"Tinha um órgão eletrônico quando era pequena. Meus pais cantavam e eu o tocava ao lado. Aos quatro anos comecei a cursar piano. Como meus pais amam a música, eles sempre me apoiaram muito neste caminho".
Aos seis anos, Li Ang obteve sua primeira oportunidade de apresentar ao público. Ela foi convidada a tocar a música de encerramento para uma cerimônia de premiação em Beijing Concert Hall, ocasião em que os pais de Li reforçaram sua convicção no talento da filha. A partir daí, Li Ang começou a dedicar quase todo seu tempo livre nas aulas e prática.
Na China, não é muito fácil para os pais criarem um pianista, pois exige um investimento pesado e grandes sacrifícios individuais. Aos dez anos, Li Ang foi enviada para estudar numa academia norte-americana. A mãe de Li abandonou consequentemente a carreira para cuidar da filha nos Estados Unidos.
Como todos os recém-chegados, Li Ang encontrou dificuldades ao superar a barreira lingüística e choques culturais. A menina, no entanto, vê tudo isso como as provas predestinadas.
"Esse caminho não é fácil, mas vale a pena. Todo o meu interesse está no piano. Amo esta arte e não posso imaginar uma vida sem ele. Isso me levou a decidir superar todas as dificuldades", disse Li.
Aos 13 anos, Li Ang colaborou com uma orquestra sinfônica em Lincoln Center, o maior centro artístico de Nova Iorque. Para mídias locais, Li possui certo potencial especial. A partir de 2003, a CBC-Canadá começou a transmitir recitais de Li Ang, apresentando a menina chinesa ao público canadense.
A carreira musical de Li Ang vem sendo bem favorável graças a seus contatos com vários mestres da área. No Instituto de Música Curtis, ela foi assistente do renomado pianista e maestro, Leon Fleisher. Na Escola de Música Juilliard, Li Ang conquistou seu mestrado com orientadora Y. Kaplinsky. De acordo com a pianista, ela aprendeu nos Estados Unidos a ser independente nos estudos e ganhou muitas oportunidades de participar das apresentações e shows.
"Desde 15 anos, comecei a acumular experiências de apresentações, inclusive atividades no campus e outros shows comerciais. Meus professores e colegas me incentivaram muito", disse Li Ang.
Na atualidade, há um número crescente de alunos chineses de música nas escolas norte-americanas e européias. Além de aprender músicas ocidentais, eles levam músicas clássicas chinesas ao Ocidente. Li Ang, por exemplo, interpretou Kang Ding Qing Ge (Canção de Amor Kang Ding) e Liu Yang He (Rio Liuyang), duas músicas tradicionais chinesas em cargo de piano num concerto realizado nos Estados Unidos. Para ela, foi uma tentativa corajosa, pois as duas músicas foram sempre interpretadas por instrumentos musicais tradicionais chineses.
"Gosto muito das duas músicas, apropriadas para a adaptação. No futuro, vou tocar mais músicas chinesas no Ocidente. Acho que o público de lá vai adorar", disse Li.