Exposição mostra a cultura e a arte étnica do país
    2007-08-15 11:17:55                cri

Beijingneses desfrutaram na semana passada de mais uma festa de cultura tradicional chinesa. A Beijing Expo de Cultura & Arte Étnica, promovida no Parque do Templo da Terra, no Distrito Dongcheng, nesta Capital, mostra de forma ampla e vívida, a arte, obras e tradições desta cidade milenar.

Danças de dragão e leques, meninos andando com pernas de pau, desfile de trajes tradicionais e a mostra de lanternas tradicionais, bem como o teatro de sombra dominam o ambiente.

Fruto de um mês de preparação, a Exposição, dividida em 12 zonas de exibição, reúne artistas folclóricas de 18 distritos de Beijing, cidade de Tianjing e províncias de Hebei, Shaanxi, Zhejiang e Qinghai. Segundo o organizador do evento, Zhang Zhiyong, da Comissão Cultural do Distrito Dongcheng, a festa pretende divulgar as culturas e artes étnicas e enriquecer a vida dos Beijingneses. Além disso, de acordo com Zhang, a festa tem uma forte vinculação com os Jogos Olímpicos de 2008.

"Essa é nossa primeira tentativa de promover uma exposição que exponha a cultura e a arte étnica chinesa. Um dos intuitos é acumular experiências para poder realizar uma mostra melhor durante os Jogos Olímpicos de 2008. Além de assistir a fantásticos jogos e competições, a Expo oferecerá uma excelente oportunidade para o público de Beijing e os turistas conhecerem artes folclóricas da China".

Além de trazer suas obras, como estátuas de barro, papéis recortados, papagaios, esculturas de madeira, entre outros, alguns artistas mostram ao vivo processo de confecção dos seus produtos.

Eis o artista popular de caleidoscópio, Zhang Qian, manobrando as pinturas dentro da caixa de caleidoscópio e contando simultaneamente a história da viagem do monge Tang e seus discípulos ao Oeste, uma das histórias clássicas chinesas.

Nascido em 1951 em Beijing, o artista chinês passou a vida a coletar e produzir pinturas e fazer narrações para o caleidoscópio. A forma artística ganhou o prêmio de ouro no Festival de Arte Folclórica de Nanjing, em 2002.

O artista em papel recordado, Zheng Wu, 75 anos, vem do Distrito Fangshan, de Beijing. Trabalhava com gravuras e começou a se dedicar em papel recordado depois de se aposentar. Mudou em 1991 para Qingdao, cidade portuária no leste do país, onde concentrou toda a sua força na criação e produção de papéis recordados. De gravura para papel recordado, Zheng disse que a mudança ocorreu, pois para ele, tem maior acesso às pessoas comuns.

"Uma das melhores coisas que a China pode oferecer para o mundo é sua arte folclórica. Nesta exposição, estou vendo que os visitantes têm um enorme interesse nas artes étnicas e folclóricas. Para mim, as coisas folclóricas são mais próximas da vida da população comum".

A obra de destaque do artista chinês exibe 56 dragões ao redor de uma peônia, flor nacional chinesa. Os dragões, de acordo com Zheng, representam as 56 etnias chinesas. A conclusão da folha levou uma semana.

Com a companhia e ajuda da esposa, também aposentada, Zheng Wu fez também umas tentativas na produção de gravuras feitas de latas. Para ele, a técnica da confecção do papel recortado pode ser empregada nesta arte recém-popularizada no país.

O artista admitiu que a sobrevivência das artes folclóricas enfrenta certas dificuldades devido à aceleração da industrialização. Sua divulgação, de acordo com Zheng, requer obviamente o apoio do governo, mas o mais importante, a sensação da responsabilidade dos artistas.

"Devemos ver a questão do ponto de vista da responsabilidade. Como um artista, já que você atue no ramo, você deve fazer tudo que puder para contribuir à divulgação da arte".

A história de Ma Dexiang, artesã que vive do entrelaçamento de palhas, é mais impetuosa. Abandonado o emprego fixo num hotel da terra natal, Ma começou nos anos 80 do século passado a percorrer as províncias de Zhejiang e Fujian para aprender e pesquisar a técnica de entrelaçamento com folhas de palmeira. A arte, segundo Ma, possui sete mil anos de história.

Antigamente, os artesões utilizavam folhas frescas, inapropriadas para sua preservação. Ma passou a vida inteira a pesquisar um meio mais eficaz de processar os materiais, inclusive a maceração de alta temperatura e exposição ao sol. Com isso, as obras ganham a cor brilhante e podem ser preservadas por um longo período.

Para o artesão chinês, a transmissão e a divulgação da arte enfrentam certas dificuldades, mas ela mantém o otimismo.

"Estou pensando em colaborar com associações de deficientes para ensinar a técnica a deficientes interessados nesta arte. Estou convicto de que minhas obras possuem amplo mercado no exterior. A arte folclórica chinesa tem um futuro positivo".

A exposição foi bem recebida pelo público. Para a visitante Li, que soube pela TV do evento, o ambiente da exposição é bem agradável.

"Gosto muito da atmosfera de antigo Beijing. Este tipo de exposição oferece aos beijingneses e visitantes desta cidade uma oportunidade de apreciar a antiga cultura chinesa, por exemplo, o papel recordado, os hutongs, entre outros. Acho muito legal", disse ela.

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