A China tem registrado, nas últimas duas décadas, uma estonteante expansão econômica. Ao mesmo tempo, a proteção sobre a cultura folclórica e tradições virou um dos focos dos trabalhos das autoridades chinesas. O estabelecimento do Centro Nacional para Proteção dos Livros Antigos, em maio passado, foi a mais recente medida aplicada no âmbito nacional. Com isso, os livros antigos distribuídos por todo o país estarão sujeitos a uma proteção mais eficaz.
Os acadêmicos chineses definiram como livros antigos as publicações lançadas antes de 1911, ano que marcou o fim da sociedade feudal chinesa. Entre eles, não faltam manuscritos e gravações preciosos.
O estabelecimento do Centro conquistou forte respaldo da Biblioteca Nacional, o maior colecionador de livros antigos do país, com milhões de volumes aguardados. O livro mais antigo que possui tem mil anos de história. As bibliotecas locais são integradas também na rede de recursos da entidade recém-criada.
O renomado especialista chinês em livros antigos, Li Zhizhong, 70 anos, vem pedindo ao governo para promover o censo nacional sobre livros antigos e elaborar normas globais para sua proteção. O trabalho ganhou finalmente um cronograma. Segundo a programação do Centro de Proteção, o órgão deve iniciar, neste ano, o censo nacional dos livros antigos. Para Li, esta é uma grande notícia.
"Muitos livros antigos se perderam ao longo da história. Após a pesquisa e investigação de longo prazo, o Ministério da Cultura e o Ministério das Finanças decidiram em tomar medidas para protegê-los, facilitando ao mesmo tempo sua utilização por acadêmicos", disse Li.
Segundo as autoridades chinesas, estão catalogados no momento cerca de dez mil livros antigos, com abordagem à cultura, história, filosofia, tecnologia e ciência, lei e minorias étnicas. Em 2002, o governo central destinou verbas especiais para a recuperação de uma parte de livros antigos reservados, aproveitando a tecnologia digital para suas publicações renovadas. A responsável pelo projeto, Chen Hongyan, apresentou:
"Na primeira fase, selecionamos uma parte de livros antigos para fazer réplicas. Até o momento, concluímos 32 volumes, cobrindo acervos das dinastias Tang, Song, Jin, Ming e Qing. O resto está ainda sendo fotografado, filmado e elaborado".
De acordo com Chen Hongyan, 700 livros antigos foram selecionados para serem recuperados. Devido às condições limitadas, apenas cerca de 200 livros podem ser republicados por ano. O fato se deve principalmente à falta de profissionais nas técnicas de recuperação.
A recuperação dos livros antigos permite sua fotografia e a filmagem digital. O trabalho deve ser feito principalmente à mão, sendo bem exigente e demorado. A recuperação dos livros mais danificados pode levar entre meio e um ano. Conforme Li Zhizhogn, no entanto, o país possui na atualidade menos de 100 profissionais na área, fato que despertou muita atenção do governo chinês.
Para o diretor do Centro Nacional para Proteção dos Livros Antigos, Zhan Furui, o atraso tecnológico e a falta de profissionalizantes constituem a maior ameaça à recuperação dos livros antigos. Além disso, falta ainda uma norma global para o trabalho no país. Segundo ele, a proteção dos livros antigos se reveste de suma importância.
"Nossos esforços podem ajudar a melhorar a situação. Nossos fracassos, por outro lado, podem prejudicar a iniciativa, por isso, o trabalho se reveste de um significado essencial", destacou Zhan.
Segundo Zhan, o censo nacional, a aceleração da recuperação dos livros antigos e a elevação do nível de tecnologias afins, bem como o reforço da sua pesquisa e publicação entram na pauta do trabalho da sua entidade. Ele revelou também que um banco de dados digital será estabelecido voltado ao público.