Uma força antiterrorista composta por cerca de 100 mil comandos, efetivos policiais e membros das forças armadas, foi posta em estado máximo de alerta para abordar eventuais ataques terroristas antes e durante os Jogos Olímpicos de Beijing, informaram funcionários do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Beijing (COJOB)quinta-feira, 50 dias antes da cerimônia de abertura do evento.
"As experiências das Olimpíadas anteriores mostram que é possível que ocorram ataques terroristas antes da abertura. Por isso nossas forças antiterroristas entraram em ação com suficiente antecipação à cerimônia", disse o diretor do departamento de segurança do COJOB, Liu Shaowu.
O fim de uma série de simulações antiterroristas nacionais denominadas "Grande Muralha 5", em meados deste mês, marcou o início da campanha, precisou Liu.
As simulações, que incluíram missões com abordagens de emergência, como ataques químicos e seqüestros de ônibus com atletas, ocorreram entre os dias 11 e 14 de junho, e tiveram como objetivo testar a capacidade de reação dos sistemas de emergência da capital chinesa e afinar a coordenação entre as diferentes forças.
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A China fortaleceu seus esforços em matéria de segurança e estabilidade à medida que se aproxima o evento, atendendo às declarações dos líderes do país, de que o terrorismo constitui a ameaça mais séria para a Olimpíada.
Funcionários do governo revelaram que três grupos integram as forças preparadas para enfrentar possíveis ataques terroristas: guardas de segurança nas sedes esportivas, forças de segurança da capital chinesa, e forças profissionais de emergência provenientes de todo o país.
"Completamos mais de 52 esquemas e mais de 500 planos específicos no que respeito à segurança, transporte, controle de incêndios, terrorismo e proteção a personalidades", disse Liu.
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Entre as forças está a Unidade de Comando Lobo de Neve (SWCU, iniciais em inglês), um esquadrão especial da polícia altamente qualificado, estabelecido em 2002.
A unidade, composta por 300 integrantes, está encarregada de atividades antiterroristas, controle de distúrbios e outras tarefas semelhantes, como operações anti-seqüestro e desativação de explosivos. Cada integrante da SWCU leva equipamentos no valor de US$ 42.900.
Beijing também vem acelerando e fortalecendo a cooperação internacional nesta área.
"Durante os jogos cooperaremos com a Interpol, e cada dia informaremos a cada um dos países participantes sobre as condições de segurança", disse Kong Bo, oficial do centro de segurança para Olimpíada.
"A China é um país em que é muito, muito difícil para um estrangeiro operar sem ser detectado", disse recentemente o diretor da Interpol, Ronald Nobre à agência de notícias Reuters.
Membros do Departamento Federal de Investigações (FBI) dos Estados Unidos disseram que o FBI está disposto a oferecer sua experiência à China, em matéria de segurança. Da mesma forma, as polícias da França, Reino Unido, Austrália e Israel, também trocaram idéias com a de Beijing.
A capital chinesa mantém 150 mil guardas e mais de 290 mil voluntários patrulhando cada esquina da cidade para garantir que não ocorram atentados terroristas durante o concurso esportivo mais importante do mundo.
"Nunca permitiremos que os terroristas ataquem a Olimpíada. Eu mesmo os deterei se chegar a descobrir alguma pista", disse Li Gaoxiang, um professor de 70 anos que patrulha uma das ruas da cidade. "Afugentar aos ladrões também é uma forma de contribuir com o êxito dos Jogos", acrescentou o idoso.
"A força da polícia é limitada, mas a força do povo não tem limites. As pessoas são o suporte do trabalho de segurança para a Olimpíada", disse o diretor do Departamento de Segurança Pública da Beijing, Ma Zhenchuan.
Mais de 7,3 mil estudantes universitários, que foram treinados, ajudarão durante as verificações de segurança na entrada de cada estádio, acrescentou Ma.
Liu Shaowu prometeu que "Beijing sediará uma Olimpíada segura".
Um integrante da SWCU assegurou que a unidade está "muito bem preparada" para os jogos. "Mas sinceramente espero que nunca tenhamos a necessidade de disparar", acrescentou.
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