Jogador repete rota Espanha-Itália, mas desta vez desembarca pela porta de trás, desvalorizado após passagem de pouco brilho em Madri; foi a quinta transferência de sua carreira e a que rendeu menos dólares para sua ex-equipe européia.
Dez anos depois de deixar a Espanha para desembarcar em Milão, o atacante Ronaldo repete no dia 30 de janeiro a rota na quinta transferência de sua carreira. Mas a diferença é a pompa desta nova mudança: o jogador deixa o Real Madrid pela porta de trás, para tentar reerguer a carreira no Milan.
No dia 30, os italianos conseguiram chegar a um acordo com o Real para contratar o brasileiro.
"Acabo de assinar com o Milan. Queria agradecer à torcida, às pessoas que me apoiaram, a meus companheiros e todos treinadores que tive, menos a um", afirmou Ronaldo. "É algo que me parte o coração, mas assim é a vida."
O Milan aceitou pagar 8 milhões de euros. O Real tentou ainda o empréstimo doa atacante Ricardo Oliveira, mas o negócio não foi concluído devido a alguns regulamento du futebol europeu.
Os representantes dos clubes se reuniram por uma segunda vez às 9h12 (horário local) do dia 30. Pelo Real, compareceram o presidente Ramón Calderón, o diretor de futebol Pedja Mijatovic e o secretário técnico Franco Baldini, enquanto pelos italianos estava apenas Adriano Galliani.
Em comunicado oficial, o Real afirmou que Ronaldo proporcionou "momentos de grande futebol que os madridistas jamais esquecerão. Foram 104 gols marcados com o uniforme, e seus prêmios o descrevem perfeitamente como um dos melhores jogadores que tenham usado nossa camisa 9 nas costas." Esses momentos, no entanto, ficaram escassos na última temporada.
Quando o técnico Fabio Capello decidiu barrar Ronaldo do elenco merengue, o aviso era claro - o jogador estava à venda. O mercado europeu, porém, pouco se agitou em plena abertura da janela de inverno de negociações. Oficialmente, o Real Madrid recebeu apenas duas propostas.
A mais vantajosa em termos financeiros foi do Al Ittihad, da Arábia Saudita, mas que não animou Ronaldo nem um pouco. Depois, apareceu o Milan. Em primeiro momento, o clube italiano se recusou a desembolsar qualquer valor para contar com o atacante. Foi uma primeira cartada que permitiu reduzir ainda mais a quantia pedida pelos espanhóis. Até fechar a contratação e ter o sexto brasileiro em seu elenco, ao lado de Kaká, Dida, Cafu, Serginho e Ricardo Oliveira.
O Real havia contratado Ronaldo em 2002, após a volta por cima e conquista da Copa do Mundo, por US$ 58 milhões. Na pré-temporada, recebeu proposta de US$ 20 milhões do mesmo Milan. Recusou com a esperança de que poderia recuperar o futebol do jogador, a despeito de uma série de pequenas crises e contusões do jogador nos últimos anos. Mas o trabalho com Capello não vingou.
Tendo apenas os italianos Filippo Inzaghi e Alberto Gilardino como opções, o Milan, além de procurar um quarto atacante, agora aposta que Ronaldo possa suprir a ausência do ucraniano Andriy Shevchenko, que foi para o Chelsea no ano passado.
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