A recente classificação do time da Universidade Politécnica de Beijing (UPB) para a profissional Liga de Futebol de Primeira Divisão da China, equivalente à categoria segunda brasileira, tem desatado ampla discussão no país sobre o sistema desportivo e de educação da China.
A notícia tem significado em algum sentido uma nova esperança para os fãs futebolísticos chineses, decepcionados pelos escândalos e incidentes de violência do futebol, se bem tem estado desiludidos em numerosas ocasiões pelos insatisfatórios comportamentos das seleções de diferentes categorias no cenário internacional.
A equipe da UPB, composta por 22 estudantes de cursos regulares e 8 de pós-graduado, é indubitavelmente uma brisa fresca para a Liga profissional do futebol chinês, integrada por duas categorias, a Superliga e a Primeira Divisão.
"O êxito da equipe UPB é um novo resultado da reforma do setor de futebol chinês, ao oferecer uma nova idéia para o desenvolvimento do esporte na China", indicou Xie Yalong, vice-presidente da Confederação de Futebol da China.
Na China, os futebolistas são formados principalmente nas equipes de reserva dos clubes profissionais ou nas escolas desse esporte. Mas o baixo desempenho da seleção nacional nas competições internacionais e os escândalos na Liga profissional têm provocado que muitos pais enviam seus filhos a praticar outros esportes em vez de futebol.
"Na China, rapazes deixam a família e abandonam a escola regular aos 11 ou 12 anos de idade para receber a formação como futebolista em um clube profissional e, aos 18 anos de idade, acumula mais experiências que os jovens do Japão ou Coréia do Sul", explicou Jin Zhiyang, ex-técnico do clube da capital, Beijing Guoan, e que atua como treinador da equipe da UPB.
"Mas, aos 25 anos de idade, os futebolistas chineses chegam ao auge de sua carreira profissional, exaustos da criatividade e com limitado potencial de desenvolvimento devido ao rígido sistema de treinamento", disse Jin.
Os críticos manifestam que, no atual sistema desportivo nacional, os atletas jovens não recebem uma educação fundamental completa e isso limita seu desenvolvimento pessoal no futuro.
No Japão e Coréia do Sul, existe um sistema mais completo sobre a formação de atletas nas escolas primárias e secundárias e nas universidades, indicou o técnico da equipe da UPB.
A solução resultaria, indicam os críticos, de uma formação mais equilibrada e uma educação mais completa para os futebolistas.
"O esporte não se pode separar da educação", sublinhou Xie, quem afirmou que a Confederação de Futebol da China fará mais trabalho em busca do desenvolvimento de futebol nas universidades nos próximos anos.
A equipe da UPB ganhou três troféus consecutivos da Liga Nacional de Universidades entre 2002 e 2004, antes de participar da Liga de Futebol de Segunda Divisão (amador) este ano.
"Não chegamos ao nível físico e técnico dos futebolistas profissionais, mas nossos jogadores compreendem melhor as situações no campo e sabem como manter a calma ante as dificuldades", disse Jin.
"Quando treinavam os profissionais, eles não sempre aplicavam as tácticas que lhes havíamos explicado", recordou o ex-técnico de Beijing Guoan e membro do grupo técnico da seleção nacional, ao sublinhar que os estudantes universitários sabem pôr a tática em prática.
Apesar de alguns se preocupar com que os jogadores da UPB perderiam aulas nos dois semestres, o reitor da UPB, Kuang Jingming, respondeu de forma contundente: "Eles estão fazendo bem na sala de aula e no campo", disse Kuang.
Kuang afirmou que a universidade organizará aulas especiais aos membros da equipe, para remediar a perda de aulas por disputar os partidos da Liga, mas que a UPB não modificará os critérios de exame para os estudantes jogadores.
Além disso, Kuang revelou que a universidade está buscando um patrocinador para a equipe, porque as regras da primeira divisão estipulam que um clube integrante deve ter um investimento de ao menos 10 milhões de yuans (US$1,25 milhão).
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