Na casa de Wangchuan, em resposta a alguns amigos que me honraram com a sua visita
Wang Wei
Não, ainda não morri,
Solitário e triste, habito agora
Por detrás da montanha Azul,
Curvado, lavrando a tarra fina.
Pago impostos, no fim do ano,
Cestas de cereais, ofertas aos antepassados.
De madrugada, vou para os montes do leste,
A erva ainda humedecida pelo orvalho.
Ao entardecer, regresso balouçando a enxada,
O fumo subindo nos telhados das casas.
Hoje chegam amigos de visita,
Varri a soleira da porta para os receber.
O que tenho para lhes oferecer?
Abri dois melões, colhi algumas jujubas.
Sou um velho de cabelos brancos,
Diante de gente tão ilustre, tão sábia.
Que pena não possuir esteiras de bambu,
Cobrir o chão apenas com palha e vime!
Mas podemos entrar na barca, subir o rio,
Ir procurar os lótus em flor,
Olhar os esturjões prateados,
Ver suas sombras sobre a areia branca.
Os pássaros esvoaçam na falésia,
O sol poente desaparece numa nuvem rosa.
Os meus amigos entram na carroça, montam a cavalo,
Dispersos, de repente, como gotas de chuva.
O gorjeio dos pardais na aldeia deserta,
O cantar dos galos nos pátios vazios.
Eu, de regresso ao isolamento, à solidão,
A respiração tensa, um suspiro profundo.
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