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Se a neve não vai ao Ceará... - Débora Portela
  2010-01-13 16:23:42  cri

Por Débora Portela

Sou brasileira, de família nordestina, acostumada à quentura e inconstância climática de nossa terra. Não é raro, pelo menos em São Paulo, onde nasci e moro, viver as quatro estações do ano num mesmo dia.

Em Beijing me impressionou demais a obediência do clima às estações. Não vou me esquecer do dia em que começou o outono aqui. Imediatamente uma brisa fresca passou a soprar, aliviando aos poucos o calor absurdo que faz quando é verão; e se convertendo lentamente em inverno, que ainda não chegou. O que, aliás, me dá muito medo, uma vez que as temperaturas outonais já bateram 6 graus negativos. Pois bem, nesse contexto é que vivi a experiência de ver neve pela primeira vez. Numa manhã de domingo, 1 de novembro, da janela do meu quarto me deparei com um tanto de neve que esperava ser toda a que veria nos invernos de minha vida! Muita neve, 11 horas seguidas, carros cobertos por uma camada de aproximadamente 15 centímetros. Um deleite para a matuta aqui, que logo sacou a câmera para registrar o momento histórico. Desci para buscar as cenas clássicas das pessoas fazendo 'guerrinha de neve', enquanto outras confeccionam aqueles bonecos de filme. E encontrei! Só não me joguei na neve fofa, embora aguarde outra oportunidade.

Qual a minha surpresa quando, no dia seguinte, leio nos jornais locais que o Departamento de Modificação do Tempo, motivado pela seca que assola Beijing, bombardeou as nuvens com uma substância química para provocar chuva. Só que, por estar muito frio, nevou! Não posso negar que fiquei um pouco decepcionada pelo fato de 'a primeira neve da minha vida' não ter sido obra divina. Acho que é o mesmo que um chinês chegar no Brasil atraído pela fama de suas praias e se deparar com o Piscinão de Ramos.

Desde 1958 os chineses se interessam em pesquisar sobre o controle do tempo e há bastante são adeptos do artifício de fazer chover, mais conhecido como 'semeadura de nuvens'. E várias são as formas de induzir esse processo. No caso da China o meio mais utilizado é o de lançar, a partir da terra ou de um avião, iodeto de prata em nuvens potencialmente chuvosas. A intenção é formar mais água e fazê-la pesar de forma que caia, intervindo numa ação que poderia não acontecer. As autoridade locais garantem que o método não altera a composição da água.

Na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008 e no dia da celebração dos 60 anos da Nova China, este ano, o mesmo departamento conseguiu a proeza de garantir céu limpo a partir do mesmo processo, antecipando as precipitações para que nos dias dos eventos as nuvens estivessem 'vazias'. Fico imaginado se uma intromissão dessas pode causar riscos ao meio ambiente. Em contrapartida, os chineses bem sabem a que tipo de situações o mau humor da natureza os submeteu. Este país registra, ao longo de séculos, diversas catástrofes: terremotos, furacões, enchentes, estiagens que mataram milhões de pessoas, deixaram outras tantas desabrigadas, além de arrasar safras inteiras. Entendo, portanto, toda a disposição governamental em apostar numa tecnologia que lhe dê armas e alguma chance na luta contra a natureza em fúria. Mas eu prefiro continuar apenas torcendo, ou no máximo fazer uso daquela boa mandinga por um belo dia de sol.

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