Os Jogos Paraolímpicos atraem mais de 6 mil jornalistas de todo o mundo. Entre eles, cerca de 40 são pessoas com deficiência física. Além de fazer a cobertura dos jogos e dos atletas, eles têm de superar as dificuldades causadas por sua condição física.
Graham Bool, da Grã-Bretanha, opera uma entidade de imprensa que leva o seu nome. Diferentemente de outros colegas, ele participou como atleta de vários jogos paraolímpicos.
"Participei das paraolimpíadas na Alemanha em 1972, no Canadá em 1976 e na Holanda em 1980, como jogador de basquete em cadeira de rodas".
Depois se aposentar, Bool começou a carreira profissional de jornalista e cobriu vários jogos paraolímpicos. Para ele, foi um grande prazer transformar-se de atleta em repórter. Um sonho de Bool é poder cobrir a próxima edição dos Jogos a ser realizada em seu país. Ele se confessou muito orgulhoso:
"Cobri pela primeira vez os Jogos Paraolímpicos de Barcelona em 1992. Depois, fui a Atlanta, Sydney e Atenas. Agora, estou em Beijing. Se for possível, gostaria de cobrir os Jogos Paraolímpicos de Londres. Os preparativos de cada cidade anfitriã são diferentes. Mas, de forma geral, os trabalhos de preparação e organização conheceram um grande avanço em cada edição".
Segundo Bool, o sol bonito, as avenidas largas e o carinho dos moradores de Beijing marcaram-no muito.
"1+1 Ateliê sonoro para pessoas com deficiência visual" é uma equipe de jornalistas composta por pessoas com problema visual. Qing Feng, membro da equipe, é o primeiro jornalista cego cadastrado no Principal Centro de Imprensa. Durante os jogos, a equipe deve cobrir o evento com narração para deficientes visuais. Qing Feng foi convidado a fazer testes no Principal Centro de Imprensa. Apesar de não poder enxergar, ele está muito familiarizado com todas as instalações do prédio. Falado sobre o teste, ele afirmou:
"Experimentei tudo do Principal Centro de Imprensa, inclusive o hotel. Os funcionários gostaram de me ouvir e sempre me pediram sugestões. Não dei conselhos em alguns pontos, porque já estão perfeitos e muito detalhados. Por exemplo, o caixa eletrônico tem teclas grandes e destacadas para facilitar o uso. Há muitos detalhes que nem mesmo nós tínhamos pensado".
Edwin Diala Akalonu é correspondente do Vanguard Sportsnow, da Nigéria. Foi a terceira vez que cobriu os jogos. Para ele, é um orgulho falar sobre Hakeem Olajuwon, pivô aposentado de NBA e seu conterrâneo. Mas, o ídolo do nigeriano é Yao Ming. Não por causa da sua técnica, mas por sua participação da causa paraolímpica.
"Hakeem nunca voltou para a Nigéria e não divulgou o basquete na pátria como Yao Ming. Fui a Shanghai no ano passado e vi os cartazes sobre esta modalidade em quase todas as avenidas. Os telões da rua mostram a imagem de Yao Ming jogando basquete, suas atividades sociais e ajuda para as pessoas com deficiência física. Neste ponto, Hakeem não se compara a Yao".
A deficiência física não abalou o entusiasmo e confiança de Akalonu para cobrir os jogos. Falando sobre sua vantagem, Akalonu balançou sua bengala, dizendo:
"Minha vantagem é a experiência. Estou há muito tempo neste campo. Não preciso que outra pessoa me diga o que fazer, sei o que devo fazer. Minha experiência é metade da minha vantagem. Se ao seu redor ninguém mostrar talento especial neste segmento e você encontrar dentro de si as condições necessárias, então seu sucesso está garantido".
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