Este provérbio é fácil de entender, pois se a casa de alguém é muito freqüentada e está sempre cheia de visitas, é claro que o pátio passa a ter tanto movimento como uma feira.
Entretanto, a origem deste provérbio é remota e interessante.
Conta-se que o primeiro-ministro do reino de Qi, Zou Ji, era um homem corpulento e razoavelmente bonito e elegante. Certa manhã, quando se vestia diante do espelho, perguntou à esposa:
-Quem é mais bonito: eu ou o Sr. Xu, o que mora na zona norte da cidade?
A senhora respondeu-lhe imediatamente, como se tivesse a resposta na ponta da língua:
-Claro que tu és muito mais bonito!
O primeiro-ministro sabia que o Sr. Xu era famoso em todo o reino pela sua elegância; desconfiado da resposta da esposa, perguntou seguidamente à concubina:
-Quem é mais bonito?Eu ou o Sr. Xu?
A resposta veio pronta:
-Ele está longe de te igualar, meu querido.
Pouco depois, chegou uma visita, e o primeiro-ministro formulou a mesma pergunta; a resposta não se fez esperar:
-O senhor é muito mais bonito do que o Sr. Xu.
Acontece que, no dia seguinte, o Sr. Xu veio fazer-lhe uma visita. O primeiro-ministro observou-o atentamente e, quando o visitante se despediu, voltou a olhar-se no espelho e chegou à conclusão de que Xu era muito mais bonito do que ele.
À noite, já deitado, meditava:
-Porque será que a minha esposa, a minha concubina e o meu visitante insistem em que sou mais bonito que o Sr. Xu?
Fartou-se de refletir, e finalmente compreendeu. Logo de manhãzinha, foi pedir uma audiência ao rei e disse-lhe:
-Sei que não sou tão bonito como o Sr. Xu, mas a minha esposa adora-me, a minha concubina teme-me e o meu visitante queria pedir-me um favor-todos eles queriam agradar-me, e por isso encobriram a verdade e mentiram-me.
E prosseguiu:
-O nosso reino é grande. No palácio real, quem é que não adora o rei?Quem é o ministro ou general que não o teme?Dos súbditos de todo o país, quem é que não pretende a sua proteção?Por conseguinte, são inúmeros aqueles que o bajulam, e o rei deve ser muito enganado..
O rei, aproveitando da lição, promulgou um decreto para valer em todo o país, segundo o qual seria premiado quem quer que desce um conselho ou fizesse uma crítica ao rei.
A obra Táctincas dos Reinos Combatentes, que foi publicada há mais de dois mil anos, regista este fato nos seguintes termos: Nos primeiros meses após a promulgação desse decreto, o pátio do palácio real estava sempre tão cheio de gente como uma feira.
A frase Um pátio como uma feira ficou como provérbio. Até hoje, quando alguém é muito visitado, os chineses costumam dizer que o pátio dele é como uma feira.
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