Qin Dahe nasceu em janeiro de 1947 em Lanzhou, província de Gansu. É o primeiro chinês a atravessar a pé a Antártica. Membro da Academia de Ciências da China, membro da Academia do Terceiro Mundo, doutor em geografia e especialista em glaciologia, representante permanente chinês junto à Organização Mundial de Meteorologia, é agora o diretor da Administração Estatal da Meteorologia da China.
No dia 17 de fevereiro, concedeu uma entrevista exclusiva ao Diário do Povo.
Jornalista: Lendo seu Diário, conheci os trabalhos árduos dos cientistas no campo. Quando os membros da expedição foram obrigados a reduzir suas bagagens, você abandonou todas as suas roupas e levou as amostras. No seu diário, li várias vezes os termos "muito, muito, muito cansado", "exausto". Como analisa as dificuldades que vivenciou na Antártica?
Qin Dahe: A dificuldade é sinônimo de alegria. É minha profissão. Seja os trabalhos manuais, seja os trabalhos intelectuais, tenho que dedicar-me ao meu trabalho.
Jornalista: A que você compara a Antártica?
Qin Dahe: É difícil fazer isso. A Antártica é um paraíso para cientistas. Muitas pessoas almejam ir lá, porque lá é o local mais limpo do mundo e a única terra limpa do planeta. Na Antártica há materiais relacionados com as atividades climáticas e ambientais e estão a nossa espera.
Jornalista: Se sintetizar sua experiência sobre a expedição à Antártica em algumas palavras, o que você diria?
Qin Dahe: Trata-se do período mais valioso da minha vida.
Jornalista: Porque escolheu a viagem à Antártica?
Qin Dahe: Não escolhi, mas lutei para ter essa oportunidade. Naquele ano(1988), completava 41 anos. Já era um homem de meia idade. Antes, já fui duas vezes à Antártica e acumulei algumas experiências. Para mim, a oportunidade é como um rio que passa por você. O mais importante é ter a perspicácia para agarrá-la.
Jornalista: Seu sucesso está sempre acompanhado do perigo. Costuma se arriscar cotidianamente?
Qin Dahe: Não é "arriscar", mas "explorar". Isto exige calma, valentia, sabedoria e seguridade. Não sou daqueles que gostem de se arriscar, pois sou muito ordeiro. Mas, quando tiver uma oportunidade e considerá-la como algo que vale a pena, analiso a meta e coloco-me para desafiar as dificuldades. Sou uma pessoa que só enfrenta os desafios depois de analisar tudo friamente. Cientista e aventureiro são coisas diferentes.
Jornalista: Mas, o perigo é inevitável......
Qin Dahe: Sim. Uma vez no Qomolangma e outra na Antártica (1983). Quase fui levado pelo vento. Meus colegas me salvaram.
Jornalista: Após tantas experiências, qual o sentido da vida?
Qin Dahe: É um quebra-cabeça responder a este tipo de pergunta. Aprecio a vida. Ao decidir explorar, costumo fazer detalhadas análises. Como 100% de segurança é quase impossível de ser obtido, devemos ter pelo menos a garantia de 80%. Somente assim botamos mãos à obra.
Jornalista: Mas sempre existe o perigo. Se não voltar?
Qin Dahe: É nossa profissão. Não se pode dizer que nunca há perigo, mesmo nas ruas de cidade com grande movimentação de automóveis.
Jornalista: Nos últimos anos, universitários têm mostrado seu entusiasmo e organizaram equipes de alpinismo. Aconteceram alguns acidentes. Quais são seus conselhos para os jovens alpinistas?
Qin Dahe: Admiro e respeito os jovens amigos. Mas quero dizer a eles que precisam realizar minuciosos preparativos e devem dominar tantos conhecimentos geográficos quanto os profissionais da área. Coragem, sabedoria e calma são virtudes necessárias. E devemos recorrer a todos os meios para evitar acidentes.
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