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(GMT+08:00) 2005-03-01 17:54:43    
A flor da torcida de candeeiro

cri

Era uma vez um rapaz chamado Du Lin, que trabalhava as terras em socalco na encosta duma montanha, onde semeava arroz. Como o sol queimava, grossas gotas de suor, do tamanho de grão de soja, corriam-lhe pelo corpo. Algumas, caíram dentro dum orifício duma pedra. Passado algum tempo, cresceu ali um lírio, de haste delicada e folhas muito verdes, e cuja flor, parecia um sino de jade branco brilhando ao sol. Passou uma aragem, e a flor, baloiçando cantou. Du Lin apoiou-se no sacho, e olhou-a estupefato, pensando de si para si que se já era estranho um lírio crescer numa pedra, mais era que cantasse...Du Lin ia todos os dias trabalhar na encosta e a flor cantava para ele... Mais trabalhava e mais a canção da flor era melodiosa.

Um dia, de manhã, Du Lin foi trabalhar na montanha como de costume, e descobriu o lírio tombado, por algum animal que o pisara, certamente. Endireitando-o delicadamente, disse: "Lírio, há muito javalis aqui na montanha! Levo-te para minha casa."

Com muito cuidado, replantou-o no gral onde pilava o arroz e pô-lo sobre o parapeito da janela.

De dia, Du Lin ia trabalhar na montanha e à noite, entrançava cestas de bambu sob a luz do candeeiro. Só, sentado a trabalhar, sentia o aroma do lírio e ouvia-o cantar. E, a cada vez, o seu rosto iluminava-se, satisfeito.

Na noite da Festa do Meio Outono, com a lua muito brilhante, do candeeiro irradiava uma luz vermelha. Du Lin, entrançava cestas como de costume. De repente, em vez de chama, uma grande flor vermelha surgiu na torcida do candeeiro, e, no coração da flor, apareceu uma menina lindíssima de vestido branco, cantando, numa voz cristalina como o luar:

Desabrocha a flor do lírio, e que bem cheia!

Do candeeiro a chama se faz flor, e é tão vermelha,

De noite o rapaz trabalha, com afinco,

E da flor surge uma rapariga que é um brinco!

A chama do candeeiro, de repente fez-se muito brilhante, e dela saiu a menina, que se aproximou de Du Lin, mas o lírio desaparecera.

Daí em diante, de dia, o casal ia alegremente trabalhar na terra e à noite, enquanto Du Lin entrançava cestas, a sua companheira bordava à luz do candeeiro. Quando chegava o dia da feira, Du Lin ia vender cereais, cestas de bambu e lenços bordados, e também comprava muitas coisas. E assim, os dois iam levando uma vida feliz.

Passados dois anos, a pobre casa em que Du Lin vivia, era já uma casa de tijolo e telha, e o celeiro estava cheio de cereais, e no curral, havia muitos bois e carneiros. Então, Du Lin perdeu a vontade de trabalhar na montanha, e deixou de entrançar cestas de bambu. De cachimbo ao canto da boca, pachorrento, pegava na gaiola do pássaro, e ia passear, dia após dia.

A sua companheira mandou-o ir vender cereais e lenços bordados, e comprar um sacho novo, foice e fio de seda. Du Lin lá foi, sem grande vontade, mas, quando voltou, tinha comprado apenas uma galinha, alguma carne de porco e vinho...Só pensava em comer e beber, e não queria saber de trabalhar.

Ela quis ir cultivar a terra com ele, e ele respondeu-lhe que lhe doíam os pés. À noite, ela quis trabalhar como antes, e ele disse que, à luz do candeeiro, cansara os olhos e já não via bem.

A menina aconselhou-o e tentou fazê-lo perceber que era preciso continuar a trabalhar, pois, embora tivessem uma vida melhor, se não trabalhassem, o que tinham acumulado depressa desapareceria. Mas Du Lin não fez caso das suas palavras, e, pegando no cachimbo e na gaiola, foi passear até a aldeia vizinha. (continuidade)