Seguido-a, os aldeãos subiram à montanha Dougao, e, ao sítio do nabo, que ela sem perder tempo arrancou, e logo um aldeão partiu. A água começou a brotar, os aldeãos alargaram o buraco. Agora, corria um rio caudaloso montanha abaixo, e, os aldeãos, contentes, corriam perseguindo a corrente de água, sem se dar conta de que a irmã dos cabelos compridos já tinha desaparecido...
Na caverna tenebrosa, mas entranhas da montanha, o gigante irado, impiedoso, preparava-se para matar a irmã dos cabelos compridos, que sem medo, aguardava a sua sorte.
Vendo-a assim destemida, o deus da montanha rangendo os dentes, disse que ia torturá-la! Obrigá-la-ia a fica de pé sob a cascata do rio que por sua causa agora corria montanha abaixo, para a pouco e pouco a água fria lhe gelar os ossos, até ela se transformar em pedra.
A rapariga disse que ele fizesse dela o que bem entendesse, mas que tinha um último pedido a fazer. Queria voltar a casa para ver a mãe e encarregar dos afazeres domésticos dos vizinhos.
O gigante aceitou o pedido dela, e disse-lhe que não precisava de voltar alo, a incomodá-lo, mas que fosse diretamente colocar-se sob a fonte, e, tivesse cuidado, porque, se não fosse, ele mataria todas as pessoas da aldeia.
Chegada a casa, não disse a verdade à mãe, receando que a mãe se preocupasse com ela. Depois de consolar a mãe e dispôr bem do seu trabalho doméstico, disse-lhe que uma amiga duma aldeia vizinha a tinha convidado para sua casa alguns dias. A pobre mulher consentiu, sem suspeitar de nada. Depois de se despedir da mãe, foi dar de comer aos leitões uma última vez.
A irmã dos cabelos compridos conhecia cada pedra e cada árvore da montanha, e ao passar por uma velha árvore, despediu-se também dela, murmurando-lhe que dali em diante não poderia voltar a repousar-se à sua sombra...
Qual o seu espanto, quando a árvore se transformou de repente num velho, de estatura alta e vestido de verde, que lhe disse saber tudo o que se passara e que queira salvá-la por ela ser muito boa. Já preparara uma estátua de pedra muito parecida com ela, que iria colocar sob a água gelada da da cascata, mas faltavam-lhe os cabelos, e teriam de ser os seus. Assim, disse, poderiam enganar o deus da montanha. A irmã dos cabelos compridos, não hesitou, cortou os cabelos. Depois, o velho disse-lhe que podia voltar para casa, e ele próprio levou a estátua para debaixo da fonte.
Vendo a água límpida correr montanha abaixo, o cereal verde e os aldeãos alegres no campo e a velha árvore, a irmã dos cabelos compridos voltou para casa, alegre, dançando, enquanto os cabelos, já longos ondulavam como a cascata da montanha Dougao.
|