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(GMT+08:00) 2004-10-19 11:03:19    
A irmã dos cabelos compridos (1)

cri

Antigamente, nas aldeias junto da montanha Dougao, havia uma grande falta de água. Os habitantes locais irrigavam as suas terras geralmente com água da chuva, e quando não chovia, tinham de ir buscar água a um pequeno rio, a três quilómetros e meio de distância da aldeia. Por isso, a água era tão cara como o azeite.

Numa das aldeias perto da montanha Dougao, havia uma rapariga com cabelos pretos brilhantes e compridos, a quem as pessoas chamava irmã dos cabelos compridos.

A sua mãe, inválida, estava confinada à cama, e ambas viviam da criação de porcos. Irmã dos cabelos compridos tinha de ir buscar água ao rio e ir à erva para os porcos todos os dias e, estava sempre muito ocupada.

Uma vez, levando um cesto de bambu às costas, foi à erva para montanha Dougao. Ao chegar ao meio da montanha viu um nabo bonito com folhas muito verdes. Pensando que devia ser saboroso, resolveu levá-lo para a mãe. Pegou no nabo pelas folhas e arrancou-o, e para seu espanto, do buraco brotou em cachão um torrente de água límpida. A irmã dos cabelos compridos ficou muito contente. Mas, quando estendeu uma mão para apanhar a água, de repente, o nabo fugiu-lhe da outra mão e tapou novamente o buraco e a água parou de jorrar!

Como tinha muita sede, arrancou outra vez o nabo e conseguiu beber água, que era tão doce como sumo de pera. Mas, ao afastar a boca do buraco, o nabo voltou tapá-lo. Enquanto, pensativa, olhava o nabo, um grande vento levantou-se e levou-a para uma caverna tenebrosa onde encontrou um gigante de pêlos amarelos, que lhe disse cruelmente ser o deus da montanha e que não queria que ela falasse a ninguém daquela fonte, senão, matava-a. Acabadas as palavras do gigante, o vento carregou-a até ao sopé da montanha.

Muitos dias se passaram sem chuva, e as terras secas, o cereal amarelecido, e os aldeãos cansados de carregar água do rio, tudo a entristecia...Não tinha já apetite, nem dormia. A mãe julgou-a doente. Ela sempre calada, deixou passar muito tempo, até que, todos os seus cabelos pretos se tornaram brancos e ela já não tinha vontade sequer de penteá-los. Os aldeãos começaram a falar, a perguntar-se que mal a afligiria... Sempre à porta de casa, via passar as pessoas e, murmurava algumas palavras, mas, logo depois, mordia os lábios e calava-se, pensando nas palavras do gigante.

O tempo passou e a seca continuava. No céu, nem sinal de chuva. Certo dia, a irmã dos cabelos compridos viu um velho, de barbas brancas, que carregava dois baldes de água, tropeçar e cair. Entornada a água, a custo, o velho levantou-se, resignado, predisposto a voltar ao rio para encher de novo os seus baldes... A irmã dos cabelos compridos correu a ajudá-lo, e, vendo o olhar cansado do velho, decidiu que não podia conter-se mais e disse-lhe que havia uma fonte na montanha Dougao, e que bastava arranca e partir o nabo o alargar o buraco para a água brotar em quantidade para todos. Meio incrédulo, o velho olhou-a, mas ela abalava, pela aldeia, gritando aos quatro vento o seu segredo.