Antigamente, nas aldeias junto da montanha Dougao, havia uma grande falta de água. Os habitantes locais irrigavam as suas terras geralmente com água da chuva, e quando não chovia, tinham de ir buscar água a um pequeno rio, a três quilómetros e meio de distância da aldeia. Por isso, a água era tão cara como o azeite.
Numa das aldeias perto da montanha Dougao, havia uma rapariga com cabelos pretos brilhantes e compridos, a quem as pessoas chamava irmã dos cabelos compridos.
A sua mãe, inválida, estava confinada à cama, e ambas viviam da criação de porcos. Irmã dos cabelos compridos tinha de ir buscar água ao rio e ir à erva para os porcos todos os dias e, estava sempre muito ocupada.
Uma vez, levando um cesto de bambu às costas, foi à erva para montanha Dougao. Ao chegar ao meio da montanha viu um nabo bonito com folhas muito verdes. Pensando que devia ser saboroso, resolveu levá-lo para a mãe. Pegou no nabo pelas folhas e arrancou-o, e para seu espanto, do buraco brotou em cachão um torrente de água límpida. A irmã dos cabelos compridos ficou muito contente. Mas, quando estendeu uma mão para apanhar a água, de repente, o nabo fugiu-lhe da outra mão e tapou novamente o buraco e a água parou de jorrar!
Como tinha muita sede, arrancou outra vez o nabo e conseguiu beber água, que era tão doce como sumo de pera. Mas, ao afastar a boca do buraco, o nabo voltou tapá-lo. Enquanto, pensativa, olhava o nabo, um grande vento levantou-se e levou-a para uma caverna tenebrosa onde encontrou um gigante de pêlos amarelos, que lhe disse cruelmente ser o deus da montanha e que não queria que ela falasse a ninguém daquela fonte, senão, matava-a. Acabadas as palavras do gigante, o vento carregou-a até ao sopé da montanha.
Muitos dias se passaram sem chuva, e as terras secas, o cereal amarelecido, e os aldeãos cansados de carregar água do rio, tudo a entristecia...Não tinha já apetite, nem dormia. A mãe julgou-a doente. Ela sempre calada, deixou passar muito tempo, até que, todos os seus cabelos pretos se tornaram brancos e ela já não tinha vontade sequer de penteá-los. Os aldeãos começaram a falar, a perguntar-se que mal a afligiria... Sempre à porta de casa, via passar as pessoas e, murmurava algumas palavras, mas, logo depois, mordia os lábios e calava-se, pensando nas palavras do gigante.
O tempo passou e a seca continuava. No céu, nem sinal de chuva. Certo dia, a irmã dos cabelos compridos viu um velho, de barbas brancas, que carregava dois baldes de água, tropeçar e cair. Entornada a água, a custo, o velho levantou-se, resignado, predisposto a voltar ao rio para encher de novo os seus baldes... A irmã dos cabelos compridos correu a ajudá-lo, e, vendo o olhar cansado do velho, decidiu que não podia conter-se mais e disse-lhe que havia uma fonte na montanha Dougao, e que bastava arranca e partir o nabo o alargar o buraco para a água brotar em quantidade para todos. Meio incrédulo, o velho olhou-a, mas ela abalava, pela aldeia, gritando aos quatro vento o seu segredo.
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