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(GMT+08:00) 2004-09-21 09:25:16    
O peixe dourado(2)

cri
Após dois dias de viagem, encontraram-se perante uma grande montanha que lhes impedia o caminho. Abandonando os cavalos no sopé da montanha, lá foram trepando, até que viram uma casa dourada à beira de um rio.

Mas, ainda mal se tinham reposto do esfroço, apareceu-lhe a ogra! Uma velha feíssima, desgrenhada, disforme e nauseabunda. "Procuraís a morte?", perguntou, arregalando muito os olhos e avançando com a boca aberta, como se quisesse devorá-los ... O mais novo dos dois rapazes, sem medo, levantou o sabre e lançou-se furiosamente à disforme criatura, mas a velha, com um sopro, arrancou-lhe o sabre da mão!

Temendo pelo irmão, o mais velho adiantou-se: "Eu vou matá-la!" Com um sorriso esfaniçado, a velha virou-se para ele, e disse: "Já que pensas ser tão forte, pois vais morrer primeiro!" E dum sopro, fez que se levantasse um redomoinho diabólico! Desafiando a força da magia da velha, o rapaz aproximou-se e, com um golpe certo, cortou-lhe a cabeça. Num instante, tudo tinha voltado à normalidade. Os dois irmãos desceram ao rio. Quando estavam a lavar-se, da casa dourada saiu uma lindíssima rapariga, que os saudou e perguntou quem eram e donde vinham. Eles responderam que vinham a mandado do rei salvar a princesa. A rapariga, aterrorizada, disse-lhes que se fossem, que seu pai mandara já muitos para a salvarem, e que a velha juncara com os ossos daqueles desgraçados a montanha, depois de se banquetear com a sua carne. Os dois disseram-lhe então que a ogra já não podia comer mais ninguém, porque eles tinham posto fim à sua cruel existência!

A princiesa ficou muito contente, mas lembrou-se que a velha tinha dois filhos e que estes deviam estar a voltar para casa. Os dois irmãos decidiram então acabar também com eles, o que era melhor do que fugir, porque senão, eles haviam de querer vingar-se.

Esperaram, esperaram, e por fim, os dois apareceram ... Ao sentir cheiro de gente, perceberam logo que algo se passava. Os dois irmãos saíram-lhes então ao caminho e, depois de uma luta renhida, que os filhos da velha eram muito fortes, acabaram por matá-los também.

De regresso à presença do rei, este, não queria acreditar que a princesa tivesse sido salva, pois o monarca já perdera as espernças de tornar a ver a filha em dias de vida. Perguntou então aos dois rapazes quem ia casar com a princesa. O irmão mais velho decidiu que seria o mais novo a casar com a menina, pois ele não podia fazê-lo. Como o outro parecesse intrigado, ele respondeu-lhe apenas que mais tarde ele perceberia o motivo. Então o irmão mais novo casou, em grandes pompa, com a princesa.

Passados alguns dias, o irmão mais velho disse ao mais novo que queria regressar a casa. Mas que ele devia ficar. Mas o rapaz não queria por nada deste mundo, separar-se do irmão. "Se tu vais, eu vou", disse. Ao saber que ambos queriam partir, o rei tentou convencê-los a ficarem, mas sem resultado, e assim, não teve outro remédio que despedir-se da filha e do genro.

O caminho era longo, e, um dia, os três aproximaram-se dum rio. O mais velho pediu para parar um momento e perguntou ao mais novo se se lembrava daquele rio, ao que o outro lhe respondeu que sim. Recordava ter um dia, quando criança, apanhado nas águas daquele rio um belo peixe dourado, que depois libertara ... O outro, olhando-o, revelou-lhe então a verdade. Ele era aquele peixe dourado! "Porque me libertando, passaste por tantas dificuldades e amarguras, transformei-me em pessoa, para te ajudar e proteger". Dito isto, dum salto, o peixe dourado mergulhou nas águas do rio, e desapareceu, depois de se despedir do rapaz e da princesa, e de lhes desejar felicidades.