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(GMT+08:00) 2004-09-14 11:26:48    
O peixe dourado(1)
(conto da etnia uygur)

cri
Era uma vez um pescador, que encontrou, um dia, preso nas malhas de sua rede, um peixe dourado. Tão nervoso estava que, ao querer libertá-lo, o peixe, dum salto, escapou-se-lhe e megulhou nas águas do rio. O pescador regressou descontente para casa, com a imagem do belo peixe dourado fixa na mente ... Apesar de ir pescar todos os dias, não mais encontrou aquele peixe. O tempo passou e o pescador mudou de ocupação e fez-se vendedor de tecidos, mas nunca esqueceu o brilho que emanava das escamas reluzentes do peixe que um dia pescara. Algum tempo depois, como a mulher lhe tivesse morrido, casou com outra mulher, que tinha um filho.

Certo dia, ao ver outras pessoas pescar, o filho lembrou-se da rede que vira arrrumada a um canto da casa e disse à mãe que queria ir pescar com aquela rede. A mãe respondeu-lhe que ele era ainda muito novo e não podia ir pescar no rio, porque era perigoso, mas, como o rapaz insistisse, a mãe acabou por lhe entregar a rede, e ele lá foi.

O rapaz lançou a rede ao rio e quando a recolheu, nas malhas da rede estava preso um peixe dourado ? o mesmo que a seu padrasto escapara um dia, mas isto, ignorava-o ele. De regresso à casa, pensava que fazer com o peixe ... Vendê-lo? Comê-lo? Mas, olhando para o peixe, o rapaz compadeceu-se ... Seria uma pena comer um peixe tão bonito. E assim, voltou à margem do rio e libertou o peixe nas águas. Depois, regressou à casa, de mãos vazias.

Outras crianças, que o viram libertar o peixe dourado, foram contar ao padrasto do rapaz o que ele tinha feito. Este, ao saber do sucedido, ficou furioso, entrou em casa, pegou numa enorme faca e, quando o enteado voltou à casa, ameaçou matá-lo. Para o homem, aquele peixe dourado tinha-se tornado uma obsessão. O rapaz, cheio de medo, não sabia que dizer, e o padrasto, mais e mais furioso ficava, até que se atirou ao rapaz e ia mesmo matá-lo, se não fosse a mãe do pobrezito ter-se posto entre eles dois. Chorando e gritando, implorava ao marido que lhe não matasse o filho. Mas, o homem, estava fora da razão e a mulher, percebendo-o, usou de um estratagema para salvar a criança. Disse então ao marido, que, se queria aplicar a sua raiva matando o menino, o fizesse de noite, para que os vizinhos o não soubessem. O homem concordou e saiu de casa, atirando com a porta, com os olhoo faiscando de raiva, deixando em casa mãe e filho, abraçados, a chorar ...

Decidiu então a pobre mulher que o filho devia fugir. Fez-lhe um farnel e o rapazito pôs-se a caminho, mas, não sem que antes a mãe o tivesse advertido contra as mas companhias que por certo iria encontrar ao longo dos caminhos. Precisaria de um companheiro, mas devia escolhê-lo com cuidado. Não esquecendo o conselho da mãe, o rapaz lá foi experimentando aqueles que ia encontrando, mas ninguém lhe parecia de fiar. Um dia, no entanto, encontrou um rapaz robusto e com ele travou amizade, que provou ser duradouro. Passou-se o tempo. Meses, anos e um dia, os dois, que entretanto eram como irmãos, chegaram a uma cidade. Mortas de fome, entraram numa albergaria para comer. Não tinham dinheiro, mas poderiam depois trabalhar para pagar quanto comessem. Pelo menos assim pensavam, mas, o que não sabiam era que, naquela cidade, havia uma lei. Quem comesse sem pagar, era condenado à morte. E foi assim que se encontraram na presença do rei, a quem o estalajadeiro tinha ido apresentar queixa, pois nada o convencia que eles ignoravam a lei local. Impiedoso, o rei mandou que os decapitassem sem demora!.

Foi o primeiro-ministro quem os salvou. "Estes dois jovens", disse ele ao rei, "são robustos e fortes". Ora a filha do rei tinha sido raptada por uma ogra horrenda e o ministro pretendia que, em vez de matar os rapazes, se podia muito bem dar-lhes uma chance e, ao mesmo tempo, quem sabe? Talvez salvar a princesa! Se a salvassem, seriam nomeados altos funcionários, e um deles poderia mesmo casar com ela, pois, um bravo rapaz, faz um óptimo marido!

O rei concordou e mandou entregar aos dois jovens o seu melhor sabre e dois cavalos vermelhos.