Era uma vez um pescador, que encontrou, um dia, preso nas malhas de sua rede, um peixe dourado. Tão nervoso estava que, ao querer libertá-lo, o peixe, dum salto, escapou-se-lhe e megulhou nas águas do rio. O pescador regressou descontente para casa, com a imagem do belo peixe dourado fixa na mente ... Apesar de ir pescar todos os dias, não mais encontrou aquele peixe. O tempo passou e o pescador mudou de ocupação e fez-se vendedor de tecidos, mas nunca esqueceu o brilho que emanava das escamas reluzentes do peixe que um dia pescara. Algum tempo depois, como a mulher lhe tivesse morrido, casou com outra mulher, que tinha um filho.
Certo dia, ao ver outras pessoas pescar, o filho lembrou-se da rede que vira arrrumada a um canto da casa e disse à mãe que queria ir pescar com aquela rede. A mãe respondeu-lhe que ele era ainda muito novo e não podia ir pescar no rio, porque era perigoso, mas, como o rapaz insistisse, a mãe acabou por lhe entregar a rede, e ele lá foi.
O rapaz lançou a rede ao rio e quando a recolheu, nas malhas da rede estava preso um peixe dourado ? o mesmo que a seu padrasto escapara um dia, mas isto, ignorava-o ele. De regresso à casa, pensava que fazer com o peixe ... Vendê-lo? Comê-lo? Mas, olhando para o peixe, o rapaz compadeceu-se ... Seria uma pena comer um peixe tão bonito. E assim, voltou à margem do rio e libertou o peixe nas águas. Depois, regressou à casa, de mãos vazias.
Outras crianças, que o viram libertar o peixe dourado, foram contar ao padrasto do rapaz o que ele tinha feito. Este, ao saber do sucedido, ficou furioso, entrou em casa, pegou numa enorme faca e, quando o enteado voltou à casa, ameaçou matá-lo. Para o homem, aquele peixe dourado tinha-se tornado uma obsessão. O rapaz, cheio de medo, não sabia que dizer, e o padrasto, mais e mais furioso ficava, até que se atirou ao rapaz e ia mesmo matá-lo, se não fosse a mãe do pobrezito ter-se posto entre eles dois. Chorando e gritando, implorava ao marido que lhe não matasse o filho. Mas, o homem, estava fora da razão e a mulher, percebendo-o, usou de um estratagema para salvar a criança. Disse então ao marido, que, se queria aplicar a sua raiva matando o menino, o fizesse de noite, para que os vizinhos o não soubessem. O homem concordou e saiu de casa, atirando com a porta, com os olhoo faiscando de raiva, deixando em casa mãe e filho, abraçados, a chorar ...
Decidiu então a pobre mulher que o filho devia fugir. Fez-lhe um farnel e o rapazito pôs-se a caminho, mas, não sem que antes a mãe o tivesse advertido contra as mas companhias que por certo iria encontrar ao longo dos caminhos. Precisaria de um companheiro, mas devia escolhê-lo com cuidado. Não esquecendo o conselho da mãe, o rapaz lá foi experimentando aqueles que ia encontrando, mas ninguém lhe parecia de fiar. Um dia, no entanto, encontrou um rapaz robusto e com ele travou amizade, que provou ser duradouro. Passou-se o tempo. Meses, anos e um dia, os dois, que entretanto eram como irmãos, chegaram a uma cidade. Mortas de fome, entraram numa albergaria para comer. Não tinham dinheiro, mas poderiam depois trabalhar para pagar quanto comessem. Pelo menos assim pensavam, mas, o que não sabiam era que, naquela cidade, havia uma lei. Quem comesse sem pagar, era condenado à morte. E foi assim que se encontraram na presença do rei, a quem o estalajadeiro tinha ido apresentar queixa, pois nada o convencia que eles ignoravam a lei local. Impiedoso, o rei mandou que os decapitassem sem demora!.
Foi o primeiro-ministro quem os salvou. "Estes dois jovens", disse ele ao rei, "são robustos e fortes". Ora a filha do rei tinha sido raptada por uma ogra horrenda e o ministro pretendia que, em vez de matar os rapazes, se podia muito bem dar-lhes uma chance e, ao mesmo tempo, quem sabe? Talvez salvar a princesa! Se a salvassem, seriam nomeados altos funcionários, e um deles poderia mesmo casar com ela, pois, um bravo rapaz, faz um óptimo marido!
O rei concordou e mandou entregar aos dois jovens o seu melhor sabre e dois cavalos vermelhos.
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