O pai de Wang Xiao morreu, quando era este ainda muito pequeno. Ele e a mãe vivem agora do cultivo da terra e de cortar lenha.
Um dia, Wang Xiao vai à montanha cortar lenha e, mal chega à ponte do rio perto da sua aldeia, vê um velho cair à água. Sem perder tempo, Wang Xiao salva o velho. Como este estremesse muito, e não conseguisse andar, Wang Xiao não teve outro remédio senão levá-lo às costas, e assim, meteu pés a caminho.
Depois de chegar à casa do velho, este tirou debaixo da cama uma pequena caixa de madeira, abriu-a e dela tirou um pequeno barco de papel. Entregando-o ao rapaz, disse-lhe: "Você é um jovem corajoso e com bom coração. Este barquinho, é o presente que lhe dou por me ter salvo. Em junho, haverá aqui uma grande cheia, e tudo ficará inundado, todas as aldeias ficarão cobertas de água. Então, você ponha o barquinho sobre as águas e diga: Cresce depressa, cresce depressa! Enche as velas! Ele poderá salvar a sua família da calamidadade. Quando baixarem as águas, você diga: A água baixa e a terra aparece! Então ele voltará a transformar-se neste pequeno barco de papel." Depois, o velho deu a caixa a Wang Xiao e disse-lhe ainda: "Naquela altura, você poderá salvar quaisquer animais que encontre nas águas, mas não pessoas." O jovem recebeu a caixa de madeira e baixou a cabeça para a ver. Quando levantou de novo os olhos, o velho e o quarto já tinham desaparecido e ele estava ainda na extremidade da ponte.
Wang Xiao voltou para casa e contou tudo à mãe. A mãe disse: "Este é um barco mágico, devemos guardá-lo bem, no futuro, ele terá utilidade."
Num dia de junho, aconteceu realmente uma grande inundação. As águas iam atingir a cassa de Wang Xiao, e face ao perigo eminente, mãe e filho andavam de um lado para o outro sem saber que fazer. De repente, Wang Xiao lembrou-se do seu barco mágico. Abriu a caixa e pôs o barco na água dizendo: "Cresce depressa, cresce depressa! Enche as velas!" O barco ia crescendo, o mastro ergueu-se e as velas içaram-se.
Já no barco, encontraram uma grande serpente. Wang Xiao salvou-a e a serpente acenou-lhe com a cabeça.
O barco continuou a avançar. De repente, descobriu-se uma bola de formiga rolando nas águas, que ia ser destruída pelas ondas. Wang Xiao salvou-as e uma formiga maior do que as outras, olhou-o em sinal de agradecimento. A seguir, encontraram um enxame de abelhas, com as asas molhadas pela chuve, coladas ao corpo. Wang Xiao salvou-as também e a rainha das abelhas acenou-lhe com a cabeça.
A dada altura, uma grande onda aproximou-se do barco, e debatendo-se, lá estava uma pessoa, quase exausta, preste a afogar-se. Ouvindo gritar "Socorro!" Wang Xiao não respeitou o conselho do velho, conduziu o mais depressa possível o barco para aquela pessoa e salvou-a. Ao vê-la, reconheceu logo Zhang San, filho dum rico da aldeia vizinha, e os dois, mais tarde, tornaram-se irmãos por juramento. Zhang San era o mais velho.
Passados alguns dias, a água baixou e a terra reapareceu novamente. Quando a mulher e os dois rapazes regressaram a casa, as águas tinham arrastado tudo. Wang Xiao e
Zhang San cortaram alguns paus e apanharam palha nas montanhas e construiram uma cabana. Mas eles estavam a passar fome e só podiam procurar cascas de árvores e raízes de ervas na encosta da montaha para matar a fome.
Discutiram, discutiram, e por fim, resolveram o problema. Zhang San disse: "Podemos oferecer o nosso barco mágico ao imperador. Ele certamente dar-nos-á dinheiro e seda e assim não nos preocuparemos mais com comida, roupas ou casa." A mãe e Wang Xiao julgavam não poder encontrar melhor soluções e finalmente concordaram com Zhang San. Wang Xiao propôs-se partir pela manhã, mas Zhang San disse logo: "Você é ainda novo, não tem experiência da vida, é melhor que eu vá!" Disse-lhe a mãe: "quando chegar, resolva o problema ou não, mande logo notícias para não estarmos preocupados consigo." Zhang San concordou: "Claro! Se eu conseguir qualquer favor do imperador, como poderei esquecer-me de vocês?" A mãe e Wang Xiao deram-lhe toda a comida que tinham em casa. Wang Xiao ensinou-lhe as palavras para controlar o barco mágico e ao mesmo tempo experimentou mandar o barco crescer e diminuir.
|