Afinidade com a China por duas gerações brasileiras - entrevista com Hugo Napoleão, filho do primeiro embaixador brasileiro na China
  2009-08-26 14:35:37  cri

Aluísio Napoleão

 Caro ouvinte, este ano marca os 60 anos da República Popular da China e também os 35 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre China e Brasil. Ao comemorar duas datas de grande significado histórico, o filho do primeiro embaixador brasileiro na China, Hugo Napoleão, concedeu uma entrevista exclusiva à CRI. Hoje vamos ouvir as recordações dele sobre o pai e como ele vê as relações sino-brasileiras.

A família Napoleão tem duas figuras de grande influência na arena política brasileira. Aluísio Napoleão de Freitas Rego, o pai, conhecido diplomata, foi chefe do Cerimonial do Palácio do Catete na Presidência de Juscelino Kubitschek, e ocupou sucessivamente cargos de embaixador no Irã, Suécia e China. Hugo Napoleão do Rego Neto, o filho, foi eleito duas vezes governador do estado do Piauí, e assumiu os cargos de Ministro da Educação, da Cultura e das Comunicações do Brasil.

Em 15 de agosto de 1974, a China e o Brasil estabeleceram oficialmente as relações diplomáticas. Aluísio Napoleão foi nomeado como primeiro embaixador brasileiro na China e cumpriu dois mandatos que o permitiram viver no país asiático por 7 anos, até 1981. Na entrevista, Hugo relembrou a reação de seu pai ao receber a nomeação do presidente.

"Eu me recordo muito bem do que aconteceu. Eu me lembro que ele recebeu um telegrama do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, informando que havia sido escolhido para essa missão. A reação de meu pai foi de muita emoção e contentamento, pois essa foi a missão mais importante nos 45 anos de sua carreira diplomática. Nós familiares nos sentimos muito orgulhosos pelo fato de que meu pai iria representar o Brasil numa grande potência mundial."

Graças ao esforço de Aluísio, as relações sino-brasileiras passaram da fase inicial tranquilamente. Ele promoveu a assinatura de uma série de acordos, facilitando o trabalho para seus sucessores. Hugo nos contou que seu pai deu grande valor à sua função como embaixador. Ele deu um exemplo:

"Ele viveu momentos difíceis, pois durante sua permanência houve o grande terremoto na China. Meu pai não quis deixar o país. Ao receber o convite para ser embaixador em outro país, ele manifestou seu desejo de continuar em Beijing e o Itamaraty respeitou sua decisão."

Durante 7 anos Aluísio fez muitos amigos chineses e conheceu diversas regiões da China. Depois de regressar ao Brasil, ele e a esposa participaram frequentemente de eventos organizados pela embaixada chinesa. Hugo nos revelou que em sua casa há muitos objetos que o pai trouxe da China. Cada um representa momentos diferentes da trajetória de seu pai no país asiático.

"Durante os anos em que meus pais estiveram em Beijing eles adquiriram tapetes, peças de porcelana e um maravilhoso biombo que permanece na sala de jantar da residência dele em Brasília, que eu mantenho até hoje. Outras peças estão em minha casa e todas são de um valor sentimental muito grande

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