CRIpor: Há quantos anos pratica o Kung Fu e que tipo de Kung Fu você compete?
R: Comecei com o estilo Shaolin do Norte, quando tinha 17 anos. E há cinco anos que comecei a experimentar o Tai Chi, com o estilo Yang. Agora, eu dou aula de Tai Chi e de Shaolin do Norte, mas como atleta mesmo, só de Tai Chi. Comecei a competir oficialmente com o Tai Chi há dois anos. Em 2010, fui campeão regional, campeão paulista. Fui também vice-campeão brasileiro e o vice-campeão mundial no Festival realizado em Shiyan, na China.
CRIpor: Por quê teve interesse no Kung Fu e como foi o seu primeiro contato com ele?
R: Na verdade, no Ocidente em si, as pessoas que acabam entrando pela arte marcial chinesa é através dos filmes. Desde criança, quando eu tinha 5 ou 6 anos de idade, assistia aos filmes de arte marcial chinesa e se era outro tipo de filme estrangeiro de luta, eu não gostava. Tinha que ser chinês mesmo. Então, acho que, na verdade, isso é bem espiritual. Até brinco que na vida passada, fui chinês, por que sempre gostei, desde criança, não só da arte marcial, mas da cultura. Gosto muito da alimentação também, da comida chinesa, da filosofia… E isso mesmo que me atraiu. Desde criança, já queria praticar o Kung Fu, só que os meus pais, na época, não deixavam, falavam que era violento. Mas, quando eu já fui atingindo mais idade, minha mãe acabou liberando. Eu fiz uma aula, ela viu que é superlegal e me apaixonei, falei é isso mesmo, deveria ter começado antes até.
CRIpor: Para você, quais as características próprias dos dois estilos que pratica, Tai Chi Chuan e Shaolin do Norte?
R: O estilo Shaolin do Norte é externo, é força, explosão, velocidade. Tai Chi é mais suave. O Tai Chi não é o Kung Fu que se dedica ao ataque primeiro. É usar a força da pessoa de ataque para voltar contra ela mesmo. São todos movimentos, todos circulares. Já Shaolin do Norte é mais explosão, mais para atacar. Na verdade, acho que se você puder conciliar os dois estilos de Kung Fu, tanto externo quando interno, você só tem a melhorar, dentro dos dois estilos. Porque é o Yin e o Yang. Quando você precisar ter explosão, ter a velocidade, você já vai estar preparado para aquilo e quando você precisar de se acalmar, o Tai Chi também te ajuda muito.
CRIpor: O que te levou a insistir na prática de Kung Fu por longo tempo?
R: Não tem explicação. O porquê de gostar da arte marcial chinesa. Mas com isso vem essa minha garra, essa minha persistência, essa força de vontade. Desistir jamais. Então é uma frase que sempre eu uso: é cabeceira de cama. Eu quero, eu posso, eu consigo. Estou fazendo uma coisa, se não está fácil, eu não vou desistir jamais.
CRIpor: Participou do Festival Mundial de Wushu em Shiyan, na província de Hubei, em 2010. Como foi o evento?
R: Foi um festival que reuniu atletas do mundo inteiro, mais de 2 mil atletas de mais de 80 países. É um campeonato dividido por categoria, e não teve o estilo de luta, o contato físico, mas só o Taolu. Todas têm as suas divisões. Eu competi a categoria de mãos livre de Tai Chi Chuan e espada, e nas duas, teve 20 e tantos atletas de cada categoria. Eu consegui medalhas nas duas. Foi muito legal. A abertura é digna de olimpíada. Muito linda!
CRIpor: Durante a prática de Kung Fu, a sua vida teve alguma mudança?
R: Sim, muitas. Primeiramente, sempre fui uma pessoa muito ansiosa. Até hoje tenho que aprender a me controlar. Ainda não consigo me controlar 100%. Mas o Kung Fu e o Tai Chi me ajudaram muito. Me ajudaram a pensar bastante antes de qualquer decisão. Por que o mais importante não é só a luta. Se a pessoa pratica Kung Fu só para saber lutar, isso não é o verdadeiro Kung Fu. O verdadeiro Kung Fu é aquilo que está por trás de tudo, sua filosofia, o caminho do meio, o que é certo, o que é errado, nada de exagero, tudo, tudo isso aí ajuda a influenciar nas nossas decisões. Então através dessas atitudes que o Kung Fu e o Tai Chi acabam nos proporcionando, a gente só consegue obter uma vida mais próspera, uma vida bem melhor.