Comentário: EUA devem parar com perseguições contra cientistas de descendência chinesa
O Departamento de Justiça dos EUA revogou nesta quinta-feira (20) as acusações contra o professor de descendência chinesa Gang Chen, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em declaração, Gang Chen descreveu seus sofrimentos como “um ano terrível”.
Em janeiro do ano passado, Gang Chen foi detido em sua casa no Estado de Massachusetts devido a acusações de que ele não esclareceu as relações de cooperação com um instituto chinês ao solicitar verbas do Departamento de Energia dos EUA.
O presidente do MIT, Leo Rafael Reif, afirmou em uma carta aberta que a cooperação e as trocas de fundos entre seu instituto e o instituto chinês não foram condutas pessoais de Gang Chen, mas uma ação interinstitucional.
Nos últimos anos, a parte norte-americana vem provocando problemas aos intercâmbios culturais e científicos normais entre os EUA e a China. Em 2018, o país lançou a “Iniciativa da China”, ação que resulta nesta circunstância.
Com pretextos de prevenir “roubo de êxitos de estudos científicos” e “espionagens econômicas”, o plano exige que as autoridades judiciais de 94 regiões dos EUA realizem pelo menos um ou dois litígios contra a China cada ano. De acordo com estatísticas da revista MIT Technology Review, a “Iniciativa da China” já criou 77 casos, com 148 pessoas acusadas e cerca de 90% sendo de descendência chinesa.
Alguns comentários nos EUA apontam que essas ações são a realização de presunções de culpa sem provas pelo governo norte-americano. Cerca de dois mil estudiosos de muitas universidades estadunidenses escreveram uma carta para o secretário da Justiça questionando o plano. Até o momento, oito casos pertinentes à “Iniciativa da China” já foram revogados.
O impedimento dos intercâmbios interpessoais e científicos normais para fins políticos não apenas cria mais dificuldades para as relações sino-norte-americanas, como também impõe prejuízos à criatividade científica dos EUA. Críticas até mesmo apontam que a “Iniciativa da China” revela a atitude distorcida da parte estadunidense com a China e agrava a questão de discriminação racial no país.
Alguns políticos estadunidenses usam teses e condutas anti-China como apostas políticas e criam uma atmosfera de ódio na sociedade, comprometendo pessoas inocentes. Isso é um novo surto de Macarthismo.
Perante as vozes de oposição cada dia mais fortes, é melhor que o governo estadunidense tome uma atitude correta quanto aos intercâmbios normais entre o país e a China e pare de considerar a China um “inimigo”. Esta seria uma opção sábia e que corresponderia aos interesses de ambas as partes.
Tradução: Paula Chen
Revisão: Erasto Santos Cruz