Qu Yan, o homem que rema contra a maré

Published: 2019-08-15 15:34:05
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“A China aos meus olhos é um país onde a pobreza não é apenas combatida através de empregos “comuns”. A China aos meus olhos é um espaço onde as artes contribuem para a erradicação da pobreza.”

Na manhã da segunda-feira (05), do mês em curso, deixamos a cidade de Beijing e rumamos para Shanxi, no norte da China, quando do céu da capital do país, logo às primeiras horas do dia, caíam gotas de água. Chovia! E foi nesse estado, entre chuviscos e um céu nublado, que deixamos Beijing.

Éramos um grupo constituído por seis pessoas e íamos atrás de uma outra realidade dentro deste vasto país com uma rica cultura milenar. Na verdade, estávamos atrás de exemplos de sucesso no combate contra a pobreza. Encontrámo-los! Eram vários os exemplos que Shanxi, uma província com uma paisagem linda, nos revelara.

Exemplos, houve, de uma empresa que compra, das comunidades, cereais para produção de vinagre, pagando uma taxa que varia de entre 10 a 15 por cento acima do preço estabelecido, assim como de uma outra que produz tomate, num processo que beneficia cerca de mil aldeões.

Mas no meio destas indústrias, barulho das máquinas, produção do aço mais fino para fabrico de celulares, cereais, plantações, um homem é que despertou a minha atenção.

Na aldeia de Xu Cun, no meio das montanhas – as mesmas que atraem artistas de vários cantos do mundo àquela região – Qu Yan revelou ser um homem que “rema contra a maré”.

Numa altura em que todo mundo desejava investir e viver em grandes cidades, como Beijing, há dez anos Qu Yan fez um movimento contrário: decidiu investir culturalmente na aldeia de Xu Cun, distante da azáfama das grandes metrópoles.

Qu Yan percebeu que era a partir daquela aldeia onde devia dar o seu contributo. Era ali onde havia vida para um artista. Ele percebeu que, a partir daquela aldeia, podia contar, ao mundo, várias histórias através de uma máquina fotográfica. Mas, para tal, era preciso conviver com a comunidade e criar um festival cultural. A simplicidade da vida campesina, na verdade, o atraiu.

A sua decisão de apostar naquela aldeia não só “alimenta” a sua alma como artista, mas também tem estado a criar, desde tempos, novos horizontes para as comunidades, dando-

lhes a oportunidade de criar e se desenvolverem de várias maneiras, desde culturalmente à financeiramente.

Por causa de uma decisão tomada há anos, a aldeia acolhe, atualmente, um festival cultural que conta com a participação de artistas de vários cantos do mundo. E é assim desde o ano que ele tomou a decisão.

De dois em dois anos, a aldeia de Xu Cun torna-se numa “casa de artes”. Artistas nacionais e internacionais fazem as suas malas, das suas casas, e fixam-se temporariamente lá, em um ambiente onde a música, artes plásticas e outras manifestações culturais são apresentadas.

Além disso, no âmbito do seu projeto, estudantes universitários participam em aulas sobre artes. Numa das ruas, enquanto caminhava, vi jovens assistindo à aulas de artes plásticas. Aprendiam sobre as técnicas de pintura, entre outros aspectos.

Durante o tempo que estive lá vi exposições feitas por crianças. Da parede de uma das rua projeta-se uma pintura que dá mais vida à vila, sem excluir a identidade cultural chinesa.

As casas, com traços da cultura e arquitetura chinesas, são pontos turísticos para quem vem de fora do país, e não só. Tudo isto envolve as comunidades e as beneficia cultural e financeiramente.

Qu Yan é um cidadão que entendeu que com a arte, e o amor por ela, se pode dar um contributo na sociedade. Ele remou contra maré. Fez o sentido oposto e hoje já se colhem os frutos dessa sua postura: desenvolvimento da comunidade.

Ele conseguiu tornar uma aldeia num lugar artístico. Qu Yan viu potencial ali e hoje ela tornou-se num lar de artistas nacionais e internacionais.

A China aos meus olhos é um país onde a pobreza não é apenas combatida através de empregos “comuns”. A China aos meus olhos é um espaço onde as artes contribuem para a erradicação da pobreza. A arte é usada, naquela aldeia, como meio de desenvolvimento.

Escrito: Hilário Taimo


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