É o vírus que é o inimigo, não são as pessoas afetadas

Published: 2020-03-22 15:41:07
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Por Ren Bing

Sou chinês, doutorado em inglês e agora ensino mandarim num país de língua portuguesa. É assim que os meus amigos costumam gozar comigo. Sou o diretor do Instituto Confúcio da Universidade Agostinho Neto, um instituto que ensina mandarim a estudantes angolanos de graça.

Vim para Angola por paixão ao ensino e amor à cultura angolana. Estou maravilhado com a biografia do Grande Presidente Agostinho Neto, estou impressionado com a velocidade do desenvolvimento de Angola. Penso que Angola e a China são parecidas, na medida em que os dois países têm uma longa história e sofreram guerras e conflitos, mas agora saem das misérias do passado e olham para o futuro da paz e da estabilidade. Mais uma coisa em comum, todos nós gostamos de Cuca (graças ao Jack Ma e ao seu Alibaba, a Cuca está disponível na China).

A vida em Angola tem sido tão boa para mim, até ao início do surto do COVID-19. Durante o surto do vírus, não pude voltar a casa para estar com a família. A minha cidade-natal é a região mais atingida para além de Wuhan, o centro do surto do vírus. Sinto uma enorme tristeza ao ver o número de pessoas afetadas aumentar a cada dia. Sinto pesar ao ver as equipas médicas estarem sobrecarregadas e trabalhar horas extraordinárias para cuidar dos pacientes. Sinto-me magoado quando ocasionalmente alguns transeuntes lançam um olhar de desdém e se distanciam. Sinto-me extremamente impotente e vulnerável quando o meu filho de quatro anos chora pelo pai durante os telefonemas. Durante este tempo, fui atingido por insónias e ansiedade todos os dias.

Foram os nossos alunos que me tiraram o mau humor, com carinho e amor. Eles enviaram-me mensagens para me animar, rezaram pela China, para me fazer perceber que não estou sozinho, a milhares de quilómetros de casa, e que a China não está sozinha na luta contra o coronavírus.

É o vírus que é o inimigo, não as pessoas afetadas. São as pessoas, não o vírus, que eventualmente vencerão. Rezemos por Angola, pela China e pelo mundo.

(Ren Bing é diretor do Instituto Confúcio Na Universidade Agostinho Neto)

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