A diplomacia com características chinesas “Todo homem tem um coração que reage ao intolerável” - Mengzi

Published: 2017-09-22 14:08:02
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Por Severino Cabral, presidente do Instituto de Estudo da China e Ásia-Pacífico

Neste começo de século, a emergência chinesa como potência global pacífica tem desafiado a imaginação dos observadores da cena internacional contemporânea.

Na tradição estabelecida pelo ocidente, desde a formação das grandes potências marítimas e terrestres na aurora dos tempos modernos - Tordesilhas e seus contestadores, toda potência ascendente desafiou a ordem internacional, provocando, de modo inelutável, a guerra ou a revolução e, pois, a ruptura da ordem estabelecida.

Assim foi com o mundo ibérico (Portugal e Epha), que veio a ser derrubado pela ação de Holanda, França e Inglaterra. Ao final do processo, o Congresso de Viena consagrou a hegemonia europeia, a ser exercida pelos contestadores de Tordesilhas sobre o mundo unificado pelos Descobrimentos. E o “concerto europeu” estabeleceu a dominação do “euromundo” sobre a África, América Latina e Ásia.

Toda a diplomacia moderna foi determinada pela política de força das grandes potências. Enquanto as semicolonias, como a China e o Brasil, sofriam com as imposições que restringiam  sua soberania e ameaçavam sua integridade territorial. Daí que o processo da descolonização, desencadeado no pós-Segunda Guerra Mundial, veio a fortalecer o mundo em desenvolvimento, e deu ao Brasil e à China a tarefa histórica de fazer emergir uma “nova mundialidade”, baseada nos principios do respeito da soberania, da independência e da integridade dos estados, bem como no seu direito ao desenvolvimento.

No dealbar do século XXI, os países emergentes buscam mudar o sistema internacional sem contestá-lo em sua totalidade. E desde que a China, sob a liderança de Deng Xiaoping e a sua teoria do socialismo com característica chinesa, tomou o caminho da reforma e abertura, uma nova realidade se firmou. E ela não só trouxe o desenvolvimento para a China, numa escala nunca antes imaginada, como também introduziu as condições para a existência de uma diplomacia com características chinesas.

Desde que a nova liderança, nucleada em torno do presidente Xi Jinping, assumiu a condução da China, aprofundou-se a reforma e abertura e novos conceitos e definições da politica diplomática chinesa vieram à luz na Conferência de Trabalho sobre a Politica Exterior da China em 2014: sobretudo, o princípio do “win-win” veio a substituir o jogo do “soma zero”, concepção de uma comunidade humana de destino comum compartilhado.

Novos espaços, de diálogo e cooperação, pois, tem sido abertos à politica diplomática chinesa, tal como tem sido observado em várias conjunturas vividas pela China e a comunidade internacional.  

Às vésperas da abertura do XIX Congresso do PCCh, e sob o pano de fundo dos acontecimentos da complexa situação internacional, a fórmula conceitual da orientação diplomática da República Popular da China, sob a liderança de Xi Jinping, ganha, com visível nitidez, características chinesas de crescente flexibilidade e ductilidade. Assim, novos conceitos e teorias vem somar-se aos conceitos tradicionais hauridos na tradição clássica chinesa, como o conceito confuciano que pensa a  harmonia entre entes diferentes.   

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