Os muitos desafios dos BRICS

Published: 2017-09-07 16:07:38
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por Cláudio Puty, professor catedrático adjunto da Universidade Federal do Pará, Brasil


A 9ª. Cúpula dos BRICS, encerrada no dia 5 de setembro em Xiamen, celebra a primeira década do agrupamento e, não por coincidência, também marca os dez anos do início da grande crise financeira.

Nesses dez anos, os principais países dos BRICS enfrentaram a crise, afirmaram a necessidade de uma nova agenda de governança mundial, particularmente nas instituições financeiras multilaterais oriundas do sistema de Bretton Woods,  e criaram novos instrumentos para a promoção do desenvolvimento em bases distintas.  Podemos dizer que essa década de cooperação mostrou que os BRICS são um espaço estratégico fundamental para a defesa de uma ordem mundial mais includente e democrática.  Não obstante as complexidades inerentes às relações entre as nações, a própria continuidade do bloco já é fato memorável e aponta para desafios futuros.

O encontro foi bem-sucedido, à medida que essas tensões bilaterais não impediram o progresso dos dois elementos que considero justificar a existência do bloco: a construção de uma ordem financeira que supere o “padrão-dólar” e a democratização de instituições de governança global a partir da criação de janelas para a cooperação entre os países do sul.

Os diversos swaps monetários entre os países, a proposta de uma cripto-moeda do bloco, além da agência de classificação de risco de crédito dos BRICS, avançam na direção de novos arranjos monetários que, se não conformam uma nova ordem mundial, apontam alternativas às regras do sistema-dólar.

Os desafios para os próximos dez anos são consideráveis. Há uma diferença de desempenho econômico entre os países do bloco, particularmente entre a recessão dos membros dependentes de exportações de commodities como o Brasil, Rússia e África do Sul.  As grandes complementariedades econômicas entre os países devem apontar à não reprodução do antigo padrão norte-sul de comércio e investimento e, portanto, a cooperação científico e tecnológica e a integração dinâmica de cadeias de valor são passos fundamentais para mostrar que o bordão “relações ganha-ganha” é, realmente, o espírito dos BRICS.


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