Economista brasileira: Economia chinesa é resiliente a crises externas

Fonte: CRI Published: 2020-03-16 11:52:18
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O economista brasileiro, José Nelson Bessa Maia, é mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Ele é especialista em estudos chineses e já escreveu dez livros. Na entrevista concedida exclusivamente ao nosso programa, ele disse que o impacto da epidemia do novo coronavírus à economia chinesa é temporário. Também previu que o crescimento econômico chinês deste ano poderá ficar no intervalo de 5% a 5,5%.

Maia disse:“A julgar pela experiência passada (SARS, 2003), o impacto é temporário e deverá ser compensado nos próximos trimestres pela retomada da economia chinesa à medida em que a epidemia causada pelo novo coronavírus seja superada e revertidas as medidas oficiais extremas de controle da disseminação da doença, sobretudo na província de Hubei.

O Governo chinês tomou as medidas necessárias para conter a epidemia com rapidez e determinação, o que impediu o seu agravamento e propagação pelo país, sem poupar recursos financeiros e humanos para o efetivo manejo da situação. A economia chinesa é resiliente a crises externas e a eclosão do coronavírus assemelha-se, do ponto de vista econômico, a um choque externo. Não pairam dúvidas de que, ainda no segundo trimestre de 2020, a China voltará a crescer, retomando a trajetória anterior ao redor de 5% a 5,5% ao ano.”

Maia avaliou as medidas adotada pelo governo chinês para promover a recuperação econômica. Ele disse:

“As medidas anticrise tomadas pelo Governo chinês visaram sobretudo a salvaguardar a solvência e manutenção das pequenas e médias empresas, as mais afetadas pela retração dos negócios e fechamento de centros comerciais, provocado pelas ações de quarentena e extensão do feriado do ano novo lunar chinês. Os pequenos negócios precisam de recursos e crédito para não ter de desempregar seus trabalhadores e continuar a lhes pagar os salários. Setores importantes como aviação, turismo, restaurantes e transportes em geral também mereciam medidas de apoio para enfrentar a difícil conjuntura imposta pelas reações ao coronavírus.”

Maia tem dedicado ao estudo da economia chinesa. Na entrevista, ele avaliou a perspectiva do crescimento econômico da China de longo prazo e falou sobre as relações comerciais e de investimento entre a China e o Brasil. Ele disse:

“Independentemente da epidemia do coronavírus, a economia chinesa já vinha passando por desaceleração estrutural por conta de fatores domésticos, como a transição para uma economia de serviços e a redução de investimento em infraestrutura, assim como por fatores externos conjunturais, tais como a disputa comercial com os EUA e questões geopolíticas. O coronavírus veio a somar-se a tais fatores para reduzir a taxa de crescimento econômico no curto prazo, mas sem alterar as perspectivas potenciais de médio prazo.

Como a China caminha para se tornar uma economia desenvolvida nos próximos 25 anos é natural que seu crescimento de longo prazo tenda a perder ímpeto e projetar uma taxa média de expansão do PIB em torno de 4%, de 2025 a 2045. Essa tendência de desaceleração no ritmo de crescimento chinês aconteceu no processo de desenvolvimento de outros países nos últimos 150 anos e é normal que isso aconteça agora com a China.

Desde a visita do presidente Xi Jinping ao Brasil, na reunião de Cúpula do BRICS e da visita oficial do presidente Jair Bolsonaro à China, ambas no final de 2019, ficaram superados os mal-entendidos e ruídos de comunicação entre o Brasil e a China que surgiram durante a campanha presidencial de 2018. O novo Governo do Brasil reiterou a importância da China como parceiro econômico estratégico e assinou diversos instrumentos de acordo para reforçar a cooperação bilateral em várias áreas. Os financiamentos chineses são bem-vindos para destravar investimentos em infraestrutura e participação em processos de privatização de ativos e empresas estatais.

Acredito que tão logo a epidemia causada pelo coronavírus tenha sido superada, tanto na China como no resto do mundo, haverá boas expectativas para a retomada do crescimento nas relações de comércio e investimento sino-brasileiras, na base de vantagens recíprocas, parcerias reforçadas e no respeito mútuo entre os dois países de dimensão continental.”

Por fim, Maia ainda compartilhou sua opinião sobre o crescimento econômico global neste ano.

“Acompanhamos com cautela os relatórios de análise conjuntural de consultores de bancos e de organismos internacionais sobre os impactos esperados na eventual propagação do coronavírus pelo mundo. Acredito que as reações dos agentes de mercados financeiros no curto prazo sejam um pouco exageradas ao antecipar sempre o pior nos cenários de riscos que elaboram e divulgam. Penso que, já nas próximas cinco a seis semanas, a situação se normalize e que a retomada dos negócios da China com seus parceiros econômicos via cadeias produtivas globais se concretize, de modo a restabelecer os fluxos de transações de comércio e suprimentos.

De todo modo, acho que a economia global deverá se retrair em 2020, abaixo do patamar de 3% previsto pelo FMI, mas não em níveis tão baixos como os aventados pela OCDE, de apenas 1,5%. Superado o acidente de percurso da epidemia causada pelo coronavírus e das tensões comerciais entre a China e os EUA, acredito que a economia global deverá se recuperar em 2021 e retomar sua trajetória de crescimento de longo prazo.”

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